sexta-feira, 10 de abril de 2009

Thriller - Edição de 25 Anos - Michael Jackson

Por Luciana Maria Sanches

Passado – 1958

Infância e adolescência dedicadas à música


Em 1958 nasceu Michael Jackson, em Gary, Indiana. O fato de ser filho de Joe Jackson, que tentou a carreira musical antes de “empresariar” os filhos, e Katherine Scruse, uma ferrenha testemunha de Jeová, explica a precocidade com que o pequeno cantor começou sua carreira. Assim como seus oito irmãos, Michael recebeu do pai uma educação rígida e quase não botava o nariz pra fora de casa por causa da superproteção materna. Não restava muito a fazer a não ser cantar e dançar sob a tutela do pai, que projetou em seus filhos a expectativa de conseguir um espaço no showbizz.



Cantar e dançar? O pequeno Michael logo mostrou que fazia isso melhor do que ninguém, embalando com sua voz precocemente madura os passinhos à la James Brown. O pai, que tinha faro artístico, logo percebeu o valor do que tinha em mãos e um contrato com a famosa gravadora Motown – que reunia, entre outros, Diana Ross, The Supremes, The Temptations e Stevie Wonder, transformando-se em sinônimo de soul e black music mundialmente - foi providenciado sem mais delongas.



Assim, em 1969, o primeiro grupo de Michael Jackson e seus irmãos, o Jackson 5, conseguiu a façanha jamais alcançada de colocar quatro singles no primeiro lugar das paradas consecutivamente. Michael tinha 11 anos.


Os executivos da Motown perceberam a galinha de ovos de ouro que tinham contratado e insistiam para que Michael saísse em carreira solo, o que acabou acontecendo apenas parcialmente. Michael lançou alguns trabalhos solo pela gravadora, mas fazia questão de permanecer ao lado dos irmãos no Jackson 5.



Em 1979, após conhecer Quincy Jones, nome imediatamente relacionado ao sucesso de Thriller, Michael finalmente se desvencilha dos contratos que ainda o mantinham ligado ao pai e lança Off the Wall. Ainda assim, Jackson se divide entre a carreira solo e o grupo que tinha com seus irmãos, agora chamado de Jacksons.


Off the Wall vendeu “apenas” sete milhões de cópias, puxado pelos sucessos “Rock With You” e “Don´t Stop Til You Get Enough”, e dava indícios do que viria a seguir.



Presente – 1982


Thriller


Por mais otimistas que fossem tais indícios, nada, nem ninguém, foi capaz de prever o fenômeno denominado Thriller.


Foram vendidas 50 milhões de cópias do álbum. De suas nove faixas, sete chegaram ao Top Ten norte-americano. Thriller permaneceu durante 37 semanas na primeira posição de álbuns mais vendidos. Com esse trabalho, Michael Jackson ganhou na mesma noite 8 prêmios Grammy e foi o primeiro artista a assinar um contrato milionário com a Pepsi para figurar na campanha publicitária da empresa.



Qual o segredo? Primeiramente, dois nomes: Michael Jackson e Quincy Jones. O talento inigualável do primeiro unindo-se à lapidação artística dada pelo segundo.


Jones, músico, arranjador, produtor e executivo de gravadora, soube visualizar tudo o que Off the Wall tinha de melhor e aperfeiçoar a fórmula em Thriller de cabo a rabo. Ou seja, não há lacuna, não há falha. O álbum não contém excesso algum e sua mescla de ritmos consegue agradar a vários públicos ao mesmo tempo. As faixas, bastante diferentes entre si, coexistem perfeitamente no álbum, transformando-o em um álbum pioneiro na mistura que equilibra rock, pop e rhythm and blues, mistura tal que influenciou tudo o que foi produzido posteriormente ao seu lançamento.



Wanna Be Startin´Somethin", a música que abre o álbum, é um funk pesado, com influências claras de disco, Diana Ross e dos áureos anos da Motown. “Baby be mine”, outra funk, com pitadas de soul.



A terceira faixa é um duo com Paul McCartney. Intitulada “The Girl is Mine”, mostra dois dos maiores nomes da música brigando pelo amor de uma garota. Jamais poderia ser outra coisa que não sucesso absoluto.


Thriller”, um aparente “monstrinho”, uma brincadeira em meio à seqüência de músicas “sérias”, varreu o mundo inteiro, que assistia estupefato ao clipe inovador feito especialmente para a música e se arrepiava com a voz cavernosa de Vincent Price, emblemático ator de filmes de terror, declamando parte da letra.



Beat it”, um hino anti-gangues, nada mais é do que puro rock n´roll. Basta lembrar os riffs e solo de guitarra de Eddie Van Halen que compõem a melodia da música. Na faixa, Michael Jackson mostra a versatilidade de sua voz, ao deixar de lado o tom infantil com que canta a maioria de suas canções.


Em “Billie Jean”, Michael volta com sua pegada mais funk, repleto dos “soluços” que são sua marca registrada. É a música mais soturna do álbum, talvez pela temática da contestação de paternidade.



Michael mantém a seriedade para falar da Natureza em “Human Nature” e é quando o álbum fica mais calmo, deixando o groove um pouco de lado e usando a voz como o principal instrumento para cantar baladas irretocáveis. “P.Y.T. (Pretty Young Things)” é mais uma funk, bem ao estilo Motown. “The Lady in My Life” é uma linda balada que fecha o álbum.



Michael TV


O outro segredo responde pelo nome MTV. Michael Jackson foi o primeiro artista negro amplamente divulgado pela Music Television, fato tão importante para um quanto para o outro. Ao invadir a emissora com os dez minutos do videoclipe “Thriller”, uma verdadeira superprodução para a época, com as dezenas de zumbis acompanhando o artista principal numa coreografia pra lá de bizarra, Michael conseguiu fisgar uma multidão de negros, que antes não acompanhavam o canal pois se sentiam preteridos pela programação da emissora. Verdade seja dita, a MTV ainda dava seus primeiros passos.



Fato é que, depois disso, MTV e Michael Jackson nunca mais seriam os mesmos, ambos se tornariam sinônimos de grandiosidade, muitos cifrões e infiltração junto ao público jovem, além de serem ícones absolutos da cultura pop da década de 1980.


Thriller segue sendo um dos álbuns mais vendidos em todo o mundo, o que mostra que o revigoramento dado na ocasião de seu lançamento à música popular americana não foi por acaso, tampouco limitou-se a um dado período de tempo ou a um só lugar.



Futuro – 2004


Michael Jackson pós-Thriller


É natural que após o fenômeno chamado Thriller, a mídia acompanharia passo-a-passo a trajetória de Michael Jackson, repentinamente elevado ao posto de Rei do Pop.


Infelizmente, exageros de ambos os lados acabaram por macular a história de um dos maiores talentos da música.



Acusações de pedofilia, excentricidades várias, timidez excessiva para dar entrevistas, incapacidade de lidar com jornalistas, um crescente isolamento do mundo, e, ao mesmo tempo, a implacável sede da imprensa por escândalos, fizeram com que Michael Jackson tivesse seu nome mais associado a assuntos pertinentes à sua vida pessoal do que à música.


Curiosidades



  • O passo conhecido como “moonwalk” não é criação de Michael Jackson, mas tornou-se uma de suas marcas registradas, ao lado dos “soluços”, da luvinha e da máscara. A primeira vez que Jackson fez a dança foi em 16 de maio de 1983, em um especial para a televisão que celebrava o 25º aniversário da gravadora Motown.


  • Uma nova parceria com Paul McCartney foi gravada em 1983. “Say say say” faz parte do álbum Pipes of Peace, do ex-Beatle.

  • Em 1985, três anos após Thriller, nasceu de uma parceria entre Michael Jackson e Lionel Richie o sucesso “We Are the World”. A música tema da famosa campanha USA for Africa, que visava reverter o valor arrecado com as vendagens do single para combater a fome na África. Foram vendidos 800 mil cópias em apenas três dias e deu a Michael Jackson um Grammy de Compositor do Ano.


  • Também em 1985, Michael Jackson comprou a ATV Publishing, detentora das canções assinadas pela dupla mais famosa da música, Lennon-McCartney, ou seja, dos Beatles, no período entre 64-71, além dos maiores sucessos de Little Richard e Pointer Sisters. Jackson pagou caro: 47 milhões de dólares e a amizade de McCartney.


  • George Bush, o pai, então presidente dos EUA em 1989, premiou Michael Jackson como o “Artista da Década”, em cerimônia na Casa Branca.

  • Em 1992, Jackson lançou a "Fundação Heal the World", que tem como objetivo ajudar crianças necessitadas ao redor do mundo. Neste mesmo ano, Jackson anunciou que toda a renda de sua segunda turnê mundial, a Dangerous World Tour, teria o mesmo fim. Ele apóia mais de 37 instituições filantrópicas.


  • Em fevereiro de 1993, Jackson foi ao programa de Oprah Winfrey e contou sofrer de vitiligo, uma rara doença de pele, que explicaria o porquê de seu crescente “embranquecimento”.

  • Também em 1993, Michael Jackson fez uma apresentação histórica no intervalo do Super Bowl (a final do futebol americano), que é recorde de audiência até hoje: 133 milhões de telespectadores.


  • Michael Jackson casou-se duas vezes. A primeira, em 1994, foi com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie Presley. O casamento durou apenas 19 meses. O segundo casamento foi com a enfermeira Debbie Rowie, em 1996, e resultou em dois filhos, Prince Michael Jackson Jr. e a pequena Paris Michael Katherine Jackson. Este amor eterno durou um pouco mais: três anos.


  • O cantor esteve no Brasil em 1996 para gravar o clipe de “They Don´t Care About Us”. Michael Jackson e o diretor do clipe, Spike Lee, fizeram tomadas na Favela de Santa Marta, no Rio de Janeiro, e principalmente no Pelourinho, Bahia, com a participação do Olodum.

  • Em 1999, o vídeo de "Thriller" foi considerado o mais importante de todos os tempos. Making Michael Jacksons Thriller tornou-se o home video mais vendido da história.


  • Michael Jackson trabalhou ao lado de George Lucas e Francis Ford Coppola no curta em 3D Captain Eo, que foi transmitido pela IMAX da Disney por 12 anos.

  • O cantor comprou o Oscar de “E o Vento Levou”, pagando a bagatela de 1,54 milhão de dólares.


  • Quando completou 40 anos, Michael Jackson ganhou 316 festas de aniversário celebradas por seus fãs, em 60 países diferentes.

  • Foi o primeiro artista a ter duas estrelas na calçada da fama de Hollywood. A primeira, com seus irmãos do Jacksons 5, foi dada em 1980 e a segunda, por sua carreira solo, foi dada em 1984.

  • O rancho de Michael Jackson, chamado Neverland (em referência à Terra do Nunca, onde vive Peter Pan e as crianças nunca envelhecem), tem 10.902 quilômetros quadrados e está avaliado em 22 milhões de dólares.


  • Da série de boatos que envolveram o cantor pode-se citar: Jackson dorme em uma câmera hiperbárica para evitar seu envelhecimento; é a reencarnação de um deus inca; comprou os ossos do Homem Elefante; não tem mais narinas por conta das inúmeras cirurgias plásticas a que se submeteu; e toma hormônios para manter a voz com tom feminino.

  • As atletas brasileiras de nado sincronizado, Isabela e Carolina de Moraes, pretendem fazer uma simulação do “moonwalk” dentro da piscina, com apenas os pés para fora, nas Olimpíadas de Atenas de 2004.



Leia, assista, ouça e navegue!


Michael Jackson participou dos seguintes filmes:



  • Homens de Preto II (2002)

  • Ghosts (1997)

  • Moonwalker (1988)


  • Captain Eo (1986)

  • The Wiz (1978)


Os inúmeros documentários sobre a carreira de Michael Jackson também são uma boa fonte de informação, mas lembrando que é importante manter um pé atrás por conta do contumaz sensacionalismo utilizado em tais programas.



Links




Influências



Stevie Wonder, Diana Ross, Paul McCartney, Ray Charles, James Brown, Jack Wilson, The Beatles.



Influenciados


Janet Jackson, LaToya Jackson, Jermaine Stewart, Bobby Brown, Eddie Murphy, P.M. Dawn, Justin Timberlake e toda a música pop pós-82.



Frases


“Se você não tem lembrança de amor na infância, está condenado a procurar por todo o mundo algo que preencha esse vazio. Entretanto, não importa quanto dinheiro ganhe ou quão famoso se torne, sempre vai continuar sentindo-se vazio.”


“É muito triste manter-se no passado, por isso não tenho prêmios na minha casa. Nenhum disco de ouro, nenhum Grammy. Não gosto de ficar cultivando orgulho pelo que já fiz, acaba parecendo que não tenho outros desafios. E isso não é verdade.”



“Normalmente sou muito feliz. Não deixo que nada me aflija. Adoro ouvir o som da água e o canto dos pássaros. Amo as coisas reais, inocentes, naturais. Nunca iria a uma festa ou a uma discoteca, já fiz isso quando era criança e agora não me atrai.”

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