domingo, 23 de maio de 2010

Instrumentos - ACORDEÃO

O acordeão, sanfona ou ainda gaita é um instrumento musical aerófono composto por um fole, um diapasão e duas caixas harmônicas de madeira.

História

Foi há 2700 anos antes de Cristo, que foi inventado na China um instrumento denominado Cheng. É uma espécie de órgão portátil tocado pelo sopro da boca. Tinha a forma de uma ave, o Fénix, que os chineses consideravam o imperador das aves. O Cheng era dividido em 3 partes:
  1. Recipiente de ar
  2. Canudo de sopro
  3. Tubos de bambu
O recipiente de ar parece com o bojo de um bule de chá. O canudo de sopro tem a forma de um bico de bule ou do pescoço de um cisne. A quantidade dos tubos de bambu variava, porém, a mais usada é a de 17. Interessante é que destes 17 tubos de bambu , 4 não têm a abertura em baixo para entrada do ar, são mudos, são colocados somente por uma questão de estética. Na parte superior do recipiente de ar ou reservatório de ar, existem as perfurações onde são fixados os tubos de bambu e em cada tubo é colocado a lingueta ou palheta, para produzir o som. Este recipiente (espécie de cabaça ) é abastecido constantemente pelo sopro do musico, que tapa com as pontas dos dedos os pequenos orifícios que existem na parte inferior de cada tubo. De acordo com a musica a ser executada ele vai soltando os dedos, podendo formar até acordes. Em cada tubo de bambu há um caixilho próprio para ser colocada a lingueta, presa por uma extremidade e solta na outra , que vibra livremente quando o ar comprimido a agita.
O Cheng é o percursor do Harmónio e do Acordeão, pois foi o primeiro a ser idealizado e construído na família dos instrumentos de palheta. De acordo com a região que era usado, o Cheng recebia nomes diferentes : Schonofouye , Hounofouye, Tcheng, Cheng, Khen, Tam Kim, Yu, Tchao, Ho. De acordo com o padre Amiot ( Jesuíta ), veio o Cheng da China para St. Petersburg, na Rússia, onde Kratzenstein ( Christien Theophile ), doutor em filosofia, em medicina e professor da Faculdade de Medicina na Universidade de Copenhague, nascido em Wernigerode em 1723 ( Prússia ) , examinado o instrumento, verificou que o seu agente sonoro era uma lamina de metal que vibrava por meio do sopro produzindo sons graves e agudos.
Ele sugeriu que Kirschnik aplicasse nos tubos dos órgãos de sua fabricação esta lamina livre de metal, o que foi feito em 1780. Da Rússia passou para a Europa, tendo a Alemanha tomado grande interesse sobretudo nos instrumentos de órgão. Foi daí que Christien Friederich Ludwig Buschmann, fabricante de instrumentos, teve a ideia de reunir várias laminas afinadas e fixadas numa placa formando uma escala cujos sons se faziam ouvir passando rapidamente através do sopro, isto em 1822. Mais tarde ele transformou esta pequena placa num instrumento musical para brinquedo de criança tocado com as duas mãos ao qual deu o nome de Handaolina ou Harmónica de mão. Para tanto aumentou o número de palhetas de metal e o tamanho do aparelho , anexando- lhe um pequeno fole e uma série de botões. Este instrumento, depois, segundo a história, foi aperfeiçoado por Koechel e 7 anos mais tarde o austríaco Cirilo Demian, construiu em Viena um instrumento rudimentar de palheta livre, teclado e fole, o qual em virtude de ter 4 botões na parte da mão esquerda, que ao serem tocados com os dedos afundados, permitiam a obtenção do acorde, deu o nome de Acordeão, nome que ficou definitivamente ligado ao instrumento através de inúmeros aperfeiçoamentos.
O sistema de palheta livre já havia sido aperfeiçoado por Grenié em 1810, na França, rico em sonoridade, dando origem ao órgão, e o francês Pinsonat, empregou o mesmo sistema no Alamiré ou Diapasão Tubular que veio a chamar-se Tipófono ou Tipótono e do qual se originou a Gaita de Boca, cuja invenção se deve a Eschenbach, que é um conjunto de palhetas metálicas como linguetas, dispostas cada uma em seu caixilho e vibradas pelo ar soprado pela boca. Na França o acordeão foi aperfeiçoado em 1837 por C. Buffet e segundo todos os tratados sobre o assunto o acordeão nada mais é do que o aperfeiçoamento de diversos instrumentos do mesmo género como o Oeline de Eschenbach, o Aerophone de Christian Dietz, a Physarmónica de Hackel, etc., tomando desde esta data sua forma definitiva e seus variados registos para mudança de intensidade e timbre do som.
Mais tarde, com a escala cromática, foi que o acordeão pode produzir qualquer melodia ou harmonia e inúmeros fabricantes o aperfeiçoaram colocando registros, tanto na mão direita com na esquerda, para maior variedade de sons. É na Itália que se fabricam os melhores acordeões, tendo sido os primeiros construídos em 1863 em Castelfidardo, em Ancona, surgindo depois Paolo Soprani e Stradella-Dellapé. Nos EUA há diversas fábricas , sendo a marca Excelsior a mais famosa. Na Alemanha foi construído o primeiro acordeão em 1822, em Berlim, e daquele país vem a marca Hohner. É esta a história do Acordeão, o belo instrumento que vem sendo constantemente aperfeiçoado pelos fabricantes que, entusiasmados com sua grande aceitação, procuram melhorá-lo, não só na parte mecânica como também na sonoridade.
O Acordeão é um dos instrumentos favoritos de todos os povos, não só pela beleza do seu som, como pela relativa facilidade de se aprender e tocá-lo bem, e ainda pela comodidade de transporte, devido ao seu pouco peso.

Acordeão

O som do acordeão é criado forçando o ar do fole por entre duas palhetas (localizadas no chamado castelo, dentro do fole), que vibram mais grave ou agudo de acordo com a distância entre elas (quando mais distantes, mais grave o som). Quanto mais forte o ar é forçado, mais alto é o som. O ar é proveniente do fole, que é aberto ou fechado com o auxílio do braço esquerdo.
A maioria dos acordeões tem quatro registros, que são diferentes oitavas para uma mesma tecla. Portanto, em um acordeão de quatro registros com o registro mestre pressionado, ao tocar um Dó, na verdade são tocados: dois Dós na oitava que pressionou, um Dó uma oitava acima e um Dó na oitava abaixo, e isso é responsável pelo som único do acordeão.

Teclado



Palhetas de registro flautim
 
 


Teclado e alavancas de válvula
 
 
O teclado, tocado com a mão direita, é basicamente o teclado de um piano colocado na vertical, com as notas mais graves para cima e as mais agudas para baixo. Ao pisar uma tecla do teclado, uma alavanca sobe, que libera um buraco ligado ao fole que permite o ar passar pelas palhetas e assim criar o som.

Baixos

Os baixos são botões tocados com a mão esquerda que exercem função ou de baixo (como a tuba numa banda ou a mão esquerda em uma valsa para piano), tocando notas e acordes, num ritmo determinado pelo estilo de música (podem também ser pisados o baixo e o acorde simultâneamente para exercer a função do teclado em uma banda de rock) ou de baixo-livre (como os pedais em um órgão), mais usado em peças clássicas e dobrados.
A principal configuração de baixos é o sistema Stradella, na qual as duas primeiras fileiras são notas, sendo a segunda o baixo fundamental, que determina a tonalidade dos acordes abaixo, e a primeira, acima da segunda, o intervalo de terça maior a partir da fundamental. As outras 4 fileiras abaixo são os acordes maiores, menores, de sétima dominante e sétima diminuto, organizados em colunas a partir da nota de sua fileira, como demonstrado abaixo:


Esquema dos baixos de um acordeão 80 baixos com o sistema Stradella
Os baixos fundamentais e contra-baixos são organizados em quintas com a nota seguinte, como de Sib para Fá, de Fá para Dó, de Dó para Sol, etc.



Parte de dentro dos baixos, mostrando o sistema de acordes
 
 
Quanto ao dedilhado dos baixos, a localização das notas em um acordeão de 120 baixos é feita através de marcas nos baixos fundamentais de Láb, Dó e Mi. A maioria dos acordeonistas eruditos utiliza o dedilhado 4-3-2-5, na qual os baixos fundamentais são tocados com o dedo 4, utilizando o dedo 2 para alcançar o botão ao lado(a quinta), quando necessário; o dedo 3 para os acordes maiores; e o dedo 2 para acordes menores, 7 dominante e 7 diminuto, se utilizando o dedo 3 para pisar o botão ao lado (a quinta), quando necessário, já que o dedo 2 estaria ocupado tocando o acorde. Em caso de necessidade de pisar o conta-baixo menor, utiliza-se o dedo 5, como com o dedo 4 em Dó e o 5 em Mib. Obviamente, existem exceções, como em casos em que se utiliza o dedo 3 para pisar o baixo de dó e o dedo 4 para pisar o acorde de Fá maior, entre outros casos especiais
Popularmente, também é utilizado o dedilhado 3-2-5, no qual se utiliza o dedo 3 e 2 para baixos e contra-baixos (o 5 em contra-baixos menores) e o 2 em todos os acordes, maiores, menores, 7 dominante e diminutos.
Em caso de baixo-livre, o dedilhado deve ser elaborado pelo acordeonista ou é fornecido na própria partitura, acima ou abaixo da nota.
A maioria dos acordeões com o sistema Stradella são com o seguinte número e configuração de baixos:
Nome Colunas Fileiras
12-baixos 6 Colunas: Si♭ a La baixo fundamental, acordes maiores
24-baixos 8 Colunas: Mi♭ a Mi baixo fundamental, acordes maiores, acordes menores
32-baixos 8 Colunas: Mi♭ a Mi baixo fundamental, acordes maiores, acordes menores, acordes de sétima dominante
40-baixos 8 Colunas: Mi♭ a Mi baixo fundamental, contra-baixos maiores, acordes maiores, acordes menores, acordes de sétima dominante
48-bass 8 Colunas: Mi♭ a Mi baixo fundamental, contra-baixos maiores, acordes maiores, acordes menores, acordes de sétima dominante, diminuído
12 Colunass: Ré♭ a Fá♯ baixo fundamental, contra-baixos maiores, acordes maiores, acordes menores
60-baixos 12 Colunas: Ré♭ a Fá♯ baixo fundamental, contra-baixos maiores, acordes maiores, acordes menores, acordes de sétima dominante
72-baixos 12 Colunas: Ré♭ a Fá♯ baixo fundamental, contra-baixos maiores, acordes maiores, acordes menores, acordes de sétima dominante, acordes de sétima diminuto
80-baixos 16 Colunas: Dó♭ a G♯ baixo fundamental, contra-baixos maiores, acordes maiores, acordes menores, acordes de sétima dominante
96-baixos 16 Colunas: Dó♭ a G♯ baixo fundamental, contra-baixos maiores, acordes maiores, acordes menores, acordes de sétima dominante, acordes de sétima diminuto
120-baixos 20 Colunas: Lá grave a Lá♯ baixo fundamental, contra-baixos maiores, acordes maiores, acordes menores, acordes de sétima dominante, acordes de sétima diminuto
140-baixos 20 Colunas: Lá grave a Lá♯ baixo fundamental, contra-baixos maiores, acordes maiores, acordes menores, acordes de sétima dominante, acordes de sétima diminuto, acorde de sétima aumentado (ou contra-baixo menor)

Registros

Registros são teclas que modificam o som, alternando quais oitavas são tocadas ou não quando a tecla ou botão é pressionada (o). Localizam-se acima das teclas no teclado ou pŕoximos ao fole nos baixos. Os registros mais comuns são: Master (obrigatório, sendo o registro com o som de acordeão), Bassoon, Piccollo, Mussette, Clarinete, Bandoneon, órgão, Violino, Flauta, Flautim, Oboé, Saxofone entre muitos outros, podendo ter até mais de 30 Teclas (repetindo alguns registros para melhor alcance durante a execução da música).

Notação musical

A notação musical do acordeão é feita em clave de Sol (ou de violino) e de Fá (ou de baixo), como ilustra o fragmento abaixo:


Fragmento de uma partitura escrita para acordeão
A clave de Sol é escrita exatamente como em partituras de piano(no caso de acordeões de piano), obedecendo as mesmas normas de dinâmica e escrita, pois o teclado é idêntico.
É na clave de Fá onde está a grande diferença entre a partitura de acordeão e piano.É organizada da seguinte maneira: Abaixo da linha central do pentagrama(ré), as notas são baixos fundamentais ou contra-baixo.Se for baixo, é notada normalmente, como acontece com o Fá logo no primeiro compasso, se for contra-baixo, recebe um traço logo abaixo da nota, como acontece com o Si no segundo compasso.
Acima da linha central do pentagrama, as notas são Acordes, recebendo, acima da nota, M (ou maj) para acorde maior, m (ou min) para acorde menor, 7 (ou S) para acorde de sétima dominante e d (ou dim) para acordes de sétima diminuto.
OBS.:no caso de ré, é convenção utilizar os espaços suplementares, evitando a linha central, porém, se for o caso, a maioria das vezes é um baixo ou contra-baixo.

Tessitura


Acordeão Voce D'Oro, década de 1950.
A tessitura do acordeão genérico é a seguinte:
Registro Teclado Baixos(e Contra-baixos)
Master(1 som agudo, 2 médios e 1 grave) Fá 2 ao Lá 5 Sol -1 ao Mi 2
Piccolo(Som agudo) Fá 3 ao Lá 6 Sol 1 ao Mi 3
Bassoon(Som grave) Fá 1 ao lá 4 Sol -1 ao Mi 1
Clarinete(Som médio) Fá 2 ao Lá 5 Sol -1 ao Mi 2
Embora quando se utiliza os registros a tessitura do acordeão alcance as regiões subgrave e superaguda, a notação é feita como se estivesse utilizando o registro Master ou Clarinete (respeitando a regra de notação para os Baixos), de modo que a notação jamais vai acontecer acima do Lá 5 na Clave de Sol ou abaixo do Ré ou Dó 1 na clave de Fá.
  • Não foi adicionada a tessitura dos acordes nos baixos em virtude da falta de padronização. Em outras palavras, a tessitura neste aspecto varia muito de acordo com a marca, modelo e origem do instrumento.

No Brasil

O primeiro acordeão que chegou ao Brasil era chamado de concertina (acordeão cromático de botão com 120 baixos). O acordeão tornou-se popular principalmente no nordeste, centro–oeste e sul do Brasil. Os primeiros gêneros (fado, valsa, polca, bugiu, caijun etc.) retratavam o folclore dos imigrantes portugueses, alemães, italianos, franceses e espanhóis.
Porém, no Nordeste (onde o acordeão é conhecido como sanfona), desde o início do século XX, mais precisamente com a construção da malha ferroviária brasileira pelos ingleses, deu-se início a um novo ritmo, o forró, característico do nordeste brasileiro, no qual um dos principais instrumentos musicais é o acordeão.
No Rio Grande do Sul, o acordeão é mais conhecido como gaita, e a gaita-ponto (acordeão diatônico) também é conhecido como gaita-botoneira, gaita de botão ou simplesmente botoneira. No sul, especialmente no Rio Grande do Sul, devido ao fato de sua música tradicionalista, ter a gaita como majestade e rainha dos bailes, o instrumento ficou muito conhecido, logo, grandes nomes surgiram, que também foram precursores da música gaúcha, como Adelar Bertussi, Albino Manique, Edson Dutra, Porca Véia dentre outros.

Acordeonistas notáveis

Brasil

Portugal

Não-lusófonos

Compositores

Compositores que escreveram obras para acordeão

FONTE - Wikipédia

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