sábado, 22 de maio de 2010

Instrumentos - BANDOLIM

O Bandolim é conhecido como um cordofone com origem napolitana, de costas periformes e abauladas tal como as do alaúde e dotado de quatro cordas duplas de metal cuja percussão com palheta ou plectro produz um efeito de tremolo rápido e encadeado que aumenta ilusóriamente a duração das notas criadas. Enquanto instrumento solista, o bandolim é usualmente tocado na técnica de "pontiado", desempenhando a voz de "soprano" num conjunto de instrumentos que inclui a bandoleta (alto), a bandola (tenor), o bandoloncelo (baixo) e, por vezes, a bandolineta (sopranino).
O bandolim europeu contemporâneo foi importado de Itália ao longo dos sécs. XVIII e XIX e posteriormente adoptado pelos diferentes países onde originou diversas naturezas "mistas" resultantes da sua fusão com elementos tradicionais e locais.
Origem
Globalmente, a maioria dos autores situam as raízes históricas do bandolim no rabât árabe, bem como na mandora medieval e renascentista. No entanto, alguns referem a existência de dois tipos principais de bandolins, cada um deles possuidor de uma forma, tipo de afinação, técnica de execução e história musical nítidamente distintas.
O mandolino representa o tipo milanês antecessor do actual bandolim, de forma similar à de um pequeno alaúde com cordas de tripa e, tal como ele, predominantemente tocado com os dedos. Adoptando a técnica da execução com palheta só a partir da segunda metade do séc. XVII e inícios do séc. XVIII, a sua afinação faz-se em quartas, com a sexta situada uma terceira abaixo da quinta linha. De formato periforme reduzido e costas abauladas, o mandolino dispõe de quatro a seis cordas duplas. As cravelhas inserem-se lateralmente, embora possa também surgir um tipo de cravelhame plano similar ao da guitarra. Objecto de colecção raramente considerado como um autêntico bandolim pelos autores contemporâneos, o mandolino adopta designações tão diversas como as de alaúde soprano, pandurina ou mandora e o seu repertório é erradamente atribuído a um segundo tipo de instrumento.
O termo bandolim designa um segundo tipo de cordofone com origem napolitana e repertório predominantemente francês. Desenvolvido em meados do séc.XVIII, as suas costas são profundamente periformes e abauladas , o cravelhame é inclinado relativamente ao braço que possui trastos. A boca é circular e sobre ela passam as quatro cordas metálicas duplas que se beliscam com um plectro ou palheta. A sua afinação mais comum é em quintas, similar à do violino.
Nápoles
Desenvolve uma identidade musical única ao longo dos "anos dourados" da expansão e afirmação culturais, resultantes da tomada militar concretizada por Carlos de Bourbon em 1734. Aperfeiçoando um gosto de vocação internacional, a cidade possuía já uma ligação histórica a um largo número de instrumentos populares de plectro que remonta ao séc XV, com a introdução árabe de instrumentos da família do alaúde que posteriormente seriam associados a formas locais e tradicionais. Definindo a principal característica futura dos instrumentos modernos de origem napolitana, é-lhe então feito o acréscimo de um cravelhame nítidamente inclinado em relação ao braço.
Por contraste com a época intimista precedente, todas as apresentações musicais setecentistas sublinham uma maior predilecção pelas grandes salas e pelas casas de ópera. De forma a servirem tais dimensões crescentes, os construtores napolitanos aperfeiçoam técnicamente os seus instrumentos com uma finalidade marcadamente pública, aumentando-lhes a dimensão total e a tensão produzida sobre as cordas. Tal como o relatam diversos viajantes do tempo, o bandolim torna-se conhecido entre os diferentes estratos sociais napolitanos, embora seja predominantemente olhado como um instrumento de carácter "popular", não elitista.
França
Ao longo da segunda metade do séc. XV, estabeleceram-se neste País inúmeros músicos e instrumentistas italianos recém-chegados via Lyon. As suas novas carreiras napolitanas afirmam-nos como mestres, compositores ou tocadores de bandolim nos concerts sprituels - ciclos de apresentações musicais típicas das épocas religiosas, quando as representações operáticas não são permitidas -, entre os quais se destacam Carlo Sodi, Giovanni Scifolelli e Leoné de Nápoles. Por sua influência directa, o bandolim passa a ser realmente popular em França desde 1760, quando Paris se torna o centro da edição musical especializada. O repertório deste instrumento contempla os duetos para dois bandolins, sonatas para bandolim e metais e cançonetas para voz e bandolim. No entanto, a formação mais comum é o dueto; talvez devido ao facto de os bandolins serem usualmente fabricados em pares e de a sua natureza portátil os transformar em instrumentos ideais para a apresentação de frescos musicais onde o segundo instrumento sublinha harmónicamente o primeiro. Estes duetos interpretavam sonatas de dois andamentos, minuetos e outras formas musicais características do refinado style galant oitocentista.
Uma mudança importante na técnica instrumental do bandolim - o efeito de tremolo produzido pelo rápido movimento vibratório da palheta na mão direita, certamente importado de Itália -, ocorre ao longo do séc.XIX quando diversas formações musicais e orquestrais com bandolins surgem na Alemanha e Áustria, interpretando um repertório constituído por diversas adaptações de excertos de óperas.
Em 1769, Giovanni Gualdo - comerciante de vinhos e de instrumentos musicais italiano em Filadélfia - executa na América ‘um solo de mandolino com instrumento italiano’. Em 1774, é interpretado na mesma cidade um concerto ‘onde o Sr. Vidal (...) músico do Reino de Portugal tocará (...) um duetto com bandolim acompanhado em violino’.
Europa
Neste Continente, é significativa a popularidade alcançada pelo bandolim em Viena, centro artístico do império dos Habsburgos. Compositores como Mozart ("Deh veni alla finestra" - ária com bandolim da ópera D.João) e Beethoven (Sonatina em Dó Menor) escreveram para bandolim, tal como posteriormente o fará Hummel no seu Concerto para Bandolim. A utilização crescente no repertório de excertos operáticos contribui para uma divulgação crescente do instrumento ao longo do séc. XIX. (Verdi em Otello e Falstaff).
No decorrer do séc.XX o bandolim foi inserido na formação orquestral por Mahler (e 8ª Sinfonias e A Canção da Terra), Schönberg (Serenata Op.24 e Variações Orquestrais Op.31), Webern (Cinco Peças Orquestrais), Henze (König Hirsch) e Stravinsky (Agor).
Viajando pelos diversos continentes, o bandolim adoptou e foi adoptado pelo Blue Grass norte-americano e por formas musicais sul-americanas como os Choros, Valsas, Sambas e Frevos brasileiros, música negro-americana das Caraíbas, novas correntes urbanas do Zaire, Cabo Verde e África do Sul.
Na Europa, o movimento revivalista dos anos 60 reintegrou o bandolim na música irlandesa, bretã e italiana.
Portugal
Sendo um dos instrumentos de câmara preferidos pela burguesia portuguesa de Novecentos, o bandolim alcançou uma popularidade crescente que o transformou num instrumento característico de outras festividades e agremiações. Encontrando-se actualmente liberto das rígidas convenções técnicas de interpretação do passado, ele é hoje principalmente tocado por jovens em tunas universitárias de cariz urbano ou integrado em ‘rusgas’ populares, participando nas ‘chulatas’ ou outras formações instrumentais mistas características das mais diversas celebrações profanas.

No Brasil esse instrumento forma historicamente o conjunto básico, junto com o cavaquinhoflauta e o violão, para execução de choros. Jacob do Bandolim é considerado o maior bandolinista brasileiro de todos os tempos. (instrumento português), a

Bandolinistas brasileiros

[editar] Bandolinistas portugueses

Bandolinistas americanos

  • Chris Thile
  • Jeff Austin
  • Mike Marshall
  • Sam Bush
  • Ricky Skaggs
  • Yank Rachell

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