sábado, 22 de maio de 2010

Instrumentos - CLAVICÓRDIO

Clavicórdio, o pai do Piano

O instrumento derivado do monocórdio grego foi se transformando até chegar a encarnar o espírito máximo do período barroco, com seus sons cristalinos marcou o acompanhamento "obligato" da música orquestral daqueles tempos.

O parente mais direto do piano é o clavicórdio. Uma espécie de pai do piano que conhecemos hoje, o clavicórdio vem de uma família que foi evoluindo aos poucos. O fundador da família foi o monocórdio, utilizado por Pitágoras - isso mesmo, o matemático da tabuada - no ano de 582 a.C Isso quer dizer, mais ou menos, que a família do piano é bastante antiga: tem quase 2.500 anos. Quer dizer também que, no começo, a família não sabia ao certo onde iria parar. Tanto assim que, durante muitíssimos anos, violão, guitarra e clavicórdio eram parentes bastante próximos.
O monocórdio de Pitágoras era simples e eficiente como a sua tabuada. Sobre um pedaço de madeira, uma única corda fina - possivelmente feita de tripa de animal - era estendida e presa sobre marcas feitas na própria madeira. Pressionava-se a corda com um dedo sobre uma das marcas e, com outro dedo e na outra extremidade da corda, ela era esticada e solta. Produzia-se um determinado som, que variava conforme o dedo deslizava de marca em marca. Se você acha que é semelhante ao funcionamento de um violão, acertou. Mas é bom ficar sabendo que esse também era o funcionamento básico do clavicórdio.
O monocórdio (uma só corda) foi muito utilizado pelos gregos e pelos romanos como instrumento de acompanhamento dos corais. Mais ou menos no ano 1000 d.C - ou seja, há uns mil anos -, o instrumento já estava bastante aperfeiçoado. Tinha várias cordas e as tais marcas na madeira haviam se transformado num suporte, muito mais parecido com o braço de um violão. E, lá por volta do ano de 1300 ou 1400, a coisa evoluiu de verdade: puseram muito mais cordas e também aumentaram a caixa de madeira, de modo que o som repercutisse melhor. E assim surgiu o clavicórdio.
Os primeiros clavicórdios, construídos no século XV, tinham 20 ou 22 cordas, que eram postas para vibrar por meio de uma espécie de martelinho em forma de pinça, que batia em cada corda enquanto puxava-a de leve, como se lhe desse pequenos beliscões. Elas eram estendidas em forma de triângulo, dentro de uma caixa de ma­deira de lei. O som era muito mais metálico do que o de um piano.

Em 1725, o clavicórdio já tinha um martelinho para cada corda

Ao longo dos séculos XVI e XVII o, clavicórdio foi sendo cada vez mais aperfeiçoado, até se transformar num instrumento bastante rico e complexo. Os fabricantes do instrumento passaram a dar aos músicos possibilidades de variar o tom, de ter mais oitavas, mais recursos. Basta lembrar que músicos esplêndidos como Bach, Haendel e Scarlatti compuseram e tocaram para clavicórdio, cravo e órgão: nenhum deles conheceu o piano.
Em 1725, o alemão Daniel Faber construiu o primeiro clavicórdio com uma tecla e um martelinho para cada corda. Com isso, as cordas passaram a vibrar ainda mais, produzindo um som mais amplo, mais rico. Estava faltando pouco, quase nada, para que surgisse o pianoforte - filho de vários pais e várias mães. Afinal, além do clavicórdio, também a spinetta contribuiu para o nascimento do piano que conhecemos hoje. Isso sem esquecer o cravo.

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