sábado, 22 de maio de 2010

Instrumentos - CONTRA-BAIXO


O contrabaixo tem suas origens remotas na Baixa Idade Média, período compreendido entre o Cisma Greco-Oriental (1054) e a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos (1453). Descendente de uma família chamada "violas", que se dividia em dois grupos, violas de braço e violas de pernas, o contrabaixo é hoje o herdeiro maior e de som mais grave deste segundo grupo.

Por volta de 1200, o nome gige era usado para destinar tanto a Rabeca, instrumento de origem árabe com formato parecido com o alaúde como a guitar-fiddle (uma espécie de violão com o formato semelhante a um violino). No Sacro Império Romano Germânico, quase todos os instrumentos eram chamados pelo nome de gige, havendo a gige pequena e a grande. A música executada neste período era bastante simples, as composições situavam-se dentro de um registro bastante limitado e no que tange à harmonia, as partes restringiam-se a duas ou três vezes. Era muito comum instrumentos e vozes dobrarem as partes em uníssono.

Com o passar dos anos, o número de partes foi expandido para quatro.
Aproximadamente na metade do séc. XV, começou-se a usar o registro do baixo, que até então era desconsiderado. Com esta nova tendência para os graves, os músicos precisavam de instrumentos especiais capazes de reproduzir ou fazer soar as partes graves. A solução encontrada pelos construtores de instrumentos, os luthiers, foi simplesmente reconstruir os instrumentos existentes, mas em escala maior. Ocorre, então, uma evolução técnica e artística de um instrumento em conjunto com a história da música. Assim, a evolução no número de partes da harmonia trouxe a necessidade de se criar outros instrumentos que desempenhassem satisfatoriamente aquela nova função.

De qualquer modo, seu ancestral mais próximo foi o chamado violine, que no início do séc. XVII tornou-se o nome comumente designado à viola contrabaixo, mas apenas na metade do séc. XVII o nome do contrabaixo separou-se do violine. E começou a ter vida própria. Entretanto, até a metade do séc. XVIII o instrumento não era utilizado em larga escala, tanto que em 1730 a orquestra de J. S. Bach não contava com nenhum contrabaixo. Ainda faltava um longo caminho para a popularização.

Com o desenvolvimento da música popular no final do séc. XIX, principalmente no que diz respeito ao jazz, inicia-se assim a introdução do contrabaixo com uma inovação: ele não era tocado com arco... apenas com os dedos a fim de que tivesse uma marcação mais acentuada.

O jazz se populariza e durante toda a primeira metade do séc. XX, o baixo só pode ser imaginado como uma imenso instrumento oco de madeira usado para bases de intermináveis solos de sax, se bem que era usado também no princípio do blues e do mambo (estou falando de antes da 2º Guerra Mundial).

Assim foi até que em 1951, um norte-americano chamado Leo Fender cria um baixo tão elétrico quanto a guitarra elétrica que também criou. O primeiro modelo foi denominado Fender Precision, e o nome não era casualidade: frente aos tradicionais contrabaixos, com o braço totalmente liso, o novo instrumento incorporava trastes, assim como suas guitarras.

Parece uma bobagem, mas o detalhe dos trastes faz com que a afinação do baixo seja muito mais precisa, eis aí a origem do nome. Mas a revolução fundamental que representa o baixo elétrico frente ao contrabaixo é a amplificação do som. Se a solução antigamente havia sido aumentar a caixa de ressonância, transformando o violino em um instrumento imenso e com cordas muito mais grossas, desta vez a solução foi inserir uma pastilha eletromagnética no corpo do instrumento para que o som fosse captado. Além do mais, a redução do tamanho do instrumento permitiu aos baixistas transporta-lo com mais comodidade, e poder viajar no mesmo ônibus dos outros músicos portando seu próprio instrumento.

Mas nem tudo seria apenas vantagem, sobretudo para aqueles que tocavam baixo, mas não eram realmente "baixistas". Até então, o contrabaixo era o instrumento que todos acreditavam serem capazes de tocar, principalmente porque não se ouvia, de modo que muitos mais representavam em palco do que realmente tocar o baixo. A amplificação trouxe à tona quais eram os verdadeiros baixistas.

Deve-se dizer que antes de 1951, na década de 1930, houve arriscadas e valentes tentativas de se fazer o mesmo, principalmente por parte de Rickenbacker. Mas se mencionei o Precision de 1951 como o primeiro baixo elétrico é porque é o primeiro que se pode considerar como tal, já que o anterior entraria na categoria de protótipos. Como é lógico, depois vieram outros modelos (como o Jazz Bass, também de Fender), as imitações, etc. Mas o significativo é que você pode comprar hoje em dia um Precision com quase as mesmas características que aquele, pois a maioria dos baixos atuais se baseiam em seu desenho.

Os músicos de jazz e blues, a princípio, acharam a idéia interessante mas mantiveram-se em seu tradicionalismo. Somente muitos anos depois o baixo elétrico seria tão popular no jazz e no blues quanto o acústico. No caso do blues, ele surgiu assim que Muddy Waters introduziu a guitarra neste ritmo, ainda que seu baixista, o mitológico Willie Dixon usasse um acústico. No caso do jazz, o baixo elétrico só veio à tona com Miles Davis.

Nos anos 60, o papel do baixista segue sendo, basicamente, o mesmo que nos anos 50: um suporte harmônico de fundo. A partir de 1967, o baixo elétrico começa a aparecer, fundamentalmente no rock'n roll. O melhor exemplo talvez seja o disco Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. Aqui já podemos começar a falar de linhas de baixo de temas pop, tal como os conhecemos atualmente. É prova disto o Festival de Woodstock em 1969.

Os anos 70 apresentam a maturidade do baixo. Os produtores começam a prestar mais atenção no potencial do instrumento e o contrabaixo assume uma importância maior, como no surgimento da disco music. É fundamental também o surgimento do rock progressivo, o jazz fusion, o latin rock, o heavy metal, o punk, o reggae, o funk e a soul music. O baixo acústico se limita apenas aos setores mais tradicionais, como jazz, blues e ritmos tipicamente latinos, assim mesmo já rivalizando com o elétrico. E é claro, a popularização do fretless, o baixo elétrico sem trastes.

O desenvolvimento da década de 80 apresenta a maturidade de alguns estilos musicais e o desaparecimento de outros. Percebe-se neste período que o baixo já não é imprescindível, e que pode facilmente ser trocado por um sintetizador. A massificação da dance music (pária da disco music) deixa de lado o contrabaixo, ainda que sua linha ainda esteja presente, mesmo que sintetizada. Mas isto não acontecia apenas com o baixo, mas também com a guitarra e a bateria, já que o sintetizador era o instrumento fetiche do início da década.

Para felicidade nossa, esta tendência de trocar todos os instrumentos por um só foi passageira. E os grupos voltaram, sejam eles de rock ou jazz, tanto o baixo elétrico quanto o acústico estavam novamente no palco. Nem todos estavam concordando com a massificação dos sintetizadores, principalmente produtores mais atentos e a revista Bass Player. O jazz começava a abrir um campo especificamente voltado para o contrabaixo elétrico, e assim o instrumento se desenvolveu com uma rapidez imensa tornando-se hoje um dos mais importantes instrumentos musicais da música moderna.

Estilos

Como qualquer instrumento, o baixo elétrico pode ser tocado em um diverso número de estilos. Baixistas como Paul McCartney têm um estilo mais melódico, enquanto Les Claypool da Primus e Flea do Red Hot Chili Peppers têm um estilo mais "funky", usando muito da técnica do slap and pop, que é dar um "tapinha" na corda com o polegar e dar um estalo ao soltar outra corda. Alguns artistas, como Pino Palladino, usam um baixo fretless (sem trastes) para um som mais "abafado". Jaco Pastorius foi o responsavel pela popularização do fretless, nos anos 70.
Larry Graham introduziu o método do "slap and pop" nos anos 60. Seu som ficou conhecido principalmente em 1970, com a música "Thank You (Falettinme Be Mice Elf Agin)". Nos anos 70, Stanley Clarke desenvolveu a técnica de Graham, deixando o método mais parecido ao que é feito atualmente. Hoje em dia Marcus Miller e Victor Wooten são dois dos principais baixistas que usam esse estilo de tocar.
A maioria dos baixistas tocam suas notas com os dedos, mas alguns preferem o uso de palhetas. Isto varia entre os gêneros musicais. Muitos poucos adeptos do estilo "funky" usam palhetas.

Técnicas


Slap

A técnica surgiu por volta de 1961, quando Larry Graham estava em uma sessão de gravação em estúdio e, momentaneamente, ficou sem baterista. Ele então começou a bater e puxar as cordas, na tentativa de imitar o som do bumbo e da caixa...

Consiste em percutir e puxar as cordas usando o polegar e os outros quatro dedos da mão direita (ou esquerda, para canhotos).

Pizzicato

O pizzicato é a técnica mais usada, mais parecida com a usada em contra-baixos clássicos em shows de jazz. Certo dia, em 1911, Bill Johnson, que tocava contrabaixo (com arco) na Original Creole Jazz Band, teve o arco quebrado. Não tendo outro à mão, Bill tratou de tocar dedilhando as cordas com os dedos da mão direita. O resultado agradou tanto que desde então (quase) nunca mais se usou o arco para tocar esse instrumento. Usa-se(normalmente) os dedos indicador e médio para atacar as cordas, podendo-se utilizar tambem o anelar (muito usado em músicas rápidas, como o heavy metal) e o dedo mindinho, alguns poucos contrabaixistas usam o dedão para cima e para baixo, como uma palheta, porém é uma técnica usada por poucos.

Tapping - Two hand

Utiliza-se as duas mãos para tocar , fazendo a base e a melodia. Muito usado por Stu Hamm e Victor Wooten em seus solos.

Fretless

A técnica para fretless é bem diferente do contra-baixo acústico e muito semelhante ao baixo-guitarra, tocando-se com dois, tres ou quatro dedos da mão direita. Seu som produz um sustain longo e pronunciado e tem um timbre parecido com o do acustico. Para estilos musicais mais vintage, folk, recomenda-se cordas flatwound e para funk e ritmos mais modernos a partir dos anos 80, cordas roundwound, onde pode se aplicar tambem o slap em lugar do pizzicatto.
Por se tratar de um instrumento não temperado (Não tem trastes para definir a altura das notas na escala), a técnica consiste em treinar o ouvido pra que as notas saiam afinadas, e aumentar a precisão dos dedos da mão esquerda para que o som saia mais limpo. Se não houver marcação na régua, basta soar a corda "E" e a "A" e glissar até que soem iguais. A partir daí se tira as terças as quartas as quintas e as outras notas da escala.
ASS:Ivan Andrade

Baixistas Influentes

  • Dee Dee Ramone - Baixista influente do punk, desenvolveu uma técnica revolucionária para a época, que consiste em tocar rápido em conjunto com a guitarra e a bateria, e que é muito utilizada até hoje.
  • Mauro Sérgio Villanacci (baixista do Primos da Invenção - técnica de velocidade extrema no baixo elétrico
  • Chico Gomes - Inventor da tecnica do triplo dominio.
Os baixistas a seguir são alguns dos que contribuiram para o desenvolvimento do baixo elétrico:
  • Chris Squire - Virtuosidade e ténicas apuradas com ênfase a sonoridades melódicas e surrealistas no estilo rock progressivo (Yes)
  • Nico Assumpção - Grande Baixista em todos os sentidos, usava varias técnicas em seus solos, seu máximo virtuosismo tanto no elétrico como no acústico - "... sua perfeita articulação, solos rápidos e uma sonoridade cristalina"- Richard Johnston / Bass Player.
  • Arthur Maia - Fera da MPB, tocou com grandes nomes como Lulu Santos e Gilberto Gil.
  • Dadi - da Cor do Som, com sua pegada precisa encantou e mostrou a força da habilidade brasileira na mistura de ritmos, no Festival de Jazz de Montreaux.
  • Abraham Laboriel - Grandes solos, criatividade, slaps incríveis.
  • Celso Pixinga - Brasileiro, domina com facilidade o instrumento, inspirou uma legião de baixista no seu país.
  • Jaco Pastorius - Revolucionou a técnica do contra-baixo elétrico. Jazz, Funk, Fusion, foi pioneiro no uso de harmônicos e baixo fretless.
  • John Patitucci - Baixista americano, utiliza muito baixo de seis cordas e double-bass.
  • Flea (Michael Balzary) - Red Hot Chili Peppers - Suas principais características que admiradores descrevem são o swing, a pegada e a precisão. Eleito como o melhor baixista dos anos 90.
  • Twiggy Ramirez (Jeordie White) - Marilyn Manson
  • Duca Tambasco - Um dos melhores baixistas de rock do Brasil
  • Jack Bruce (Vocalista na Cream) - Pioneiro nas linhas melódicas
  • Stanley Clarke - Foi a semente do "Jazz Fusion", nos anos 70, revolucionou o slap
  • Moog (Rodrigo) - Usa Fretless, tecnicas de slap, two hands, grande baixista de funk, acid jazz, etc...
  • Les Claypool - Muito slap em suas músicas excêntricas.
  • Mike Rutherford - da banda Genesis, grande habilidade, velocidade e harmonia nas suas criações.
  • Greg Lake - Emerson, Lake & Palmer, com seu som pesado, alternando para a linha melódica e acima de tudo progressiva.
  • Jesús Gabaldón - Baixo de 5 cordas
  • John Deacon - Queen - Considerado um dos maiores baixistas do mundo, usava um baixo mais leve que se adequava perfeitamente à sonoridade do Queen.
  • John Entwistle - Eleito o Baixista do Milenio, com velocidade e tecnica ate entao nao vistas no mundo do rock.
  • John Myung - Músico de técnica apurada, velocidade e criatividade excepcional, integrante da Banda Dream Theater.
  • Larry Graham - Criador da técnica do slap
  • Stu Hamm - Adepto do "two hand tapping", tocou com Joe Satriani
  • Steve Lawson - Explorou novas tecnologias para solos
  • Phil Lesh - Influências clássicas no Rock, Improvisação
  • Patrick Laplan - Ex-Los Hermanos e Rodox, atual free lance Biquini cavadão
  • Michael Manring - Trabalho invovador com diversas afinações alternadas
  • Geddy Lee - Virtuosidade e ténicas apuradas no estilo rock progressivo, metal e pop
  • Paul McCartney - Linhas melódicas
  • Marcus Miller - Trabalhou com grandes nomes do jazz, como Miles Davis
  • Pino Palladino - Baixo fretless
  • James Jamerson (The Funk Brothers) - Velocidade, precisão e complexidade em suas linhas
  • Steve Harris - É conhecido pela sua pegada e velocidade, expandiu a famosa técnica da "cavalgada"
  • Tom Petersson - Baixo de 12 cordas
  • Bootsy Collins - Pioneiro no "funky"
  • Francis "Rocco" Prestia - Grooves fantásicos em semi-colcheias, "ghost notes", sincopes e um pulso percusivo realmente cativante.
  • Victor Wooten - Virtuosi e mestre no slap, técnica a qual explora ao máximo e aperfeiçoou com uma "nova técnica" de slap.
  • Cliff Burton - Baixista do Metallica, reconhecido pelo feeling, técnica e solos com extrema distorção com o uso de wah-wah.
  • Marcos Valente Junior - Baixista brasileiro de MPB e Jazz - desenvolveu o primeiro Baby Bass brasileiro (baixo acustico sem caixa harmonica)e seu sistema de captação piezo-elétrico instalado na ponte, em parceria com o Luthier GermanoM. Veja em http://www.germanom.com/
  • Gene Simmons - Baixista do Kiss
  • Ryan Martinie - Baixista dos Mudvayne
  • Verdine White - Com seu grupo Earth Wind & Fire ele é considerado um dos baixistas mais criativos de funk do planeta com linhas sensacionais.
  • Mark Hoppus - ex-baixista do Blink 182 e baixista do Plus 44
  • Garrafinha - Baixista da banda Potiguar de Punk Rock Bubblegum - FLIPERAMA.

Fabricantes

  • Alembic
  • Carvin
  • Carl Thompson
  • Condor
  • Cort
  • Danelectro
  • Esp Guitars
  • Ernie Ball
  • Fender
  • Fodera
  • G&L
  • Gibson
  • Golden
  • Groovin
  • Hamer (conhecido pelos baixos de 12 cordas)
  • Höfner
  • Ibanez
  • Ken Bebensee
  • Ken Smith
  • Musicman
  • Pedulla
  • Rickenbacker
  • Rob Allen
  • Sadowsky
  • Tobias
  • Wal
  • Warwick (guitar)
  • Washburn
  • Yamaha Corporation
  • Jackson
  • B.C. Rich
  • Condor
  • Tagima
  • Strinberg
  • Crafter
  • Warwick  

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