sábado, 1 de maio de 2010

O Fracasso comercial da Música Pernambucana

Nação Zumbi
Nação, uma das melhores bandas do país,
parece fazer
questão de ser do segundo time
A frase “Pernambuco não sabe vender sua cultura” aparece em toda eleição quando se discute o tema. É quase uma unanimidade esta nossa incompetência na área. As comparações com a Bahia são inevitáveis, mas podemos aprender com outras experiências mais parecidas com nosso caso.
Sábado passado fui ao Festival do Verão, principalmente para assistir duas bandas: Capital Inicial e Nação Zumbi. A banda pernambucana entrou quase as 4 da manhã, com menos da metade do público que estava presente nos shows anteriores. Não seria desprestígio, mas apenas o cansaço natural da maratona de shows. Jorge du Peixe, vocalista da Nação reclamou da hora da apresentação, e também do fato de poucas bandas pernambucanas estarem no festival.
Mas será que ele tem razão?
Vamos pensar um pouco. O festival é um evento comercial, e para tal, precisa ter nomes conhecidos, e como todo festival, músicas que a maioria ali presente conheça. Este é o espírito de um evento como esse.
Comecei a pensar na frase do início do texto: “Pernambuco não sabe vender sua cultura”. Comecei a pensar no momento que nossa música viveu na década de 90, com a saída de algumas bandas daqui, lideradas por Chico Science & Nação Zumbi, e comparar com fatores semelhantes, como as bandas de Brasília da década de 80, as bandas mineiras dos anos 80, e vi que aqui vários fatores internos impediram nossos artistas de emplacarem no primeiro time da música nacional.
À exceção de Alceu Valença, Nação Zumbi e Lenine, não consigo lembrar de nenhum nome pernambucano que tenha projeção na cena musical brasileira (posso e devo estar enganado). Alguns podem falar do Cordel do Fogo Encantado ou Geraldo Azevedo, mas aí nem dá para discutir. Os mais promissores de Pernambuco atualmente são o Maestro Spok e o DJ Dolores. Mas no caso de Spok, com uma orquestra daquele tamanho, a dificuldade deve ser imensa.
Chico_Science_Recife
Chico Science: este sabia fazer cultura com forte apelo comercial
Na década de 90, dois fenômenos aconteceram na música pernambucana, e foram igualmente desperdiçados. Um foi fruto do destino: a morte de Chico Science. O outro foi a falta de visão de alguns músicos, que tinham tudo para estourar.

Com o desaparecimento do principal personagem da cena pernambucana, o restante das bandas simplesmente sumiu, ou voltou ao seu tamanho merecido. Para quem não se lembra, a cena era composta de, além de CSNZ, do Mundo Livre, e de algumas bandas fraquíssimas, como a obscura Paulo Francis vai pro Céu e a Jorge Cabeleira. As outras bandas vieram alguns anos depois.
Como se vê, bem diferente da cena de Brasília, onde impulsionados pela Legião Urbana, saíram o Capital Inicial e a Plebe Rude. A qualidade musical deles era muito superior no seu conjunto.
A Nação Zumbi continuou o legado de Chico Science, mas perdeu muito do seu brilho, e parece que fazem questão de não fazer mais sucesso. Nas apresentações ao vivo, modificaram tanto as músicas da época de Chico Science que nem parece a mesma banda. Um amigo meu disse que eles são assim, não fazem questão de serem comerciais. Além de ser uma grande bobagem, isso não é verdade porque senão eles não teriam gravado comercial para a Skol no ano passado.
A banda é sem dúvida a mais importante da cena pernambucana, e musicalmente uma das mais expressivas do país, e a única razão para ainda não estar no primeiro time das bandas nacionais é sua dificuldade de se vender.
Marrom350x250_03 lenine-2
Enquanto Marrom saiu do Versão Brasileira e submergiu,
Lenine saiu de Pernambuco e conseguiu fazer sucesso
Muitos devem se lembrar que na década de 90, mais especificamente em 1994 e 1995, duas bandas estouraram no carnaval de Pernambuco: a Versão Brasileira e a Banda Pinguim. Luciano do Valle chegou a promover um show no evento Verão Vivo de 1995 com as duas, transmitindo para o Brasil todo. Parecia que ali surgiria uma cena musical nova, com influência do caboclinho e do frevo, que iria mudar a cara do carnaval recifense.
Quando vi a Versão Brasileira pela primeira vez, imaginei logo que iriam estourar no Brasil inteiro. Tinha um potencial impressionante, mas algo se desviou no meio do caminho, e ficou apenas na promessa.
Ledo engano. As duas se afundaram por problemas internos, com seus vocalistas resolvendo fazer carreira solo, e submergiram junto ao mangue da cidade.
Eu nem quero aqui falar do exemplo da Bahia porque é um caso único. Transformarem o Asa de Águia e Cia. em sucesso foi uma coisa de fazer inveja até ao agente de marketing de David Beckham.
Certo fez Lenine e Alceu, que saíram daqui para o Rio de Janeiro, e aparecem no Carnaval para dar o ar da graça.
Autor: Pierre Lucena - 22/03/09 às 23:29

2 comentários:

acho que vc deveria lembrar do movimento harmorial...daí verá que temos uma cultura musical, que não necessariamente é de especulação comercial. Causa-nos insatisfação, sim, porque não temos multidões nos ouvindo, mas temos um legado. Tânia

O problema é a continuidade deste legado. Somos bombardeados a todos instante por modismo casuais, ventos de uma só estação.
Nossas raízes são sólidas, mas nossa árvore está murchando.

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