sábado, 15 de maio de 2010

Origens - R&B

Rhythm and Blues ou R&B foi um termo comercial introduzido no Estados Unidos no final de 1940 pela Revista Billboard. O termo teve uma série de mudanças no seu significado. Começando na década de 1960, após este estilo de música contribuiu para o desenvolvimento do rock and roll ", o termo R&B passou a ser utilizado - especialmente por grupos branco - para se referir a estilos musicais que se desenvolveu a partir do blues e associado eletric blues, bem como gospel e soul music. Até a década de 1970, o conceito de rhythm and blues estava sendo usado como um termo para descrever a soul e funk. Desde a década de 1990, o termo R&B Contemporâneo é utilizado principalmente para se referir a uma versão moderna de influencias de soul e funk na música pop. Em suas primeiras manifestações, o chamado rhythm and blues era uma versão negra de um predecessor do rock. Foi fortemente influenciado pelo jazz, particularmente pelo chamado jump blues (Blues em andamento acima, mais precisamente o boogie woogie, influenciado por big bands, especificamente o swing) assim como pelo gospel. Por sua vez, também influenciou o jazz, dando origem ao chamado hard bop (produto da influência do rhythm and blues, do blues e do gospel sobre o bebop) e posteriormente ao Jazz Fusion e Smooth Jazz. Os músicos davam pouca atenção às distinções feitas entre o jazz e o rhythm and blues, e geralmente gravavam nos dois gêneros. Várias bandas (como as que acompanhavam os músicos Jay McShann, Tiny Bradshaw, e Johnny Otis) também gravavam rhythm and blues. Mesmo um ícone de arranjos bebop como Tadd Dameron também produziu arranjos R&B para Bull Moose Jackson, e trabalhou dois anos como pianista de Bull Moose após se estabelecer como músico de bebop. Um dos nomes que se destacou neste gênero foi Muddy Waters.
Não foi só no cenário pop dos EUA, mas também no do Reino Unido durante os anos 60, que o R&B atingiu seu auge de popularidade. Sem sofrer o mesmo tipo de distinção racial que limitava sua aceitação nos EUA, os grupos musicais britânicos rapidamente adotaram este estilo de música, e grupos como os Rolling Stones e The Animals levaram o rhythm'n'blues a grandes platéias.
O termo caiu em desuso nos anos 60, e foi substituído por soul e Motown, porém ressurgiu nos últimos anos para designar a música negra norte-americana abrangendo o pop, fortemente influenciado pelo hip hop, pelo funk, e pelo soul. Neste contexto, só a abreviatura R&B é usada, e não a expressão toda.

História

Durante a segunda guerra mundial, e a dificuldade de manter agenda de shows lucrativos, os líderes de algumas ‘’big bands’’ foram forçados à reduzir o tamanho dos grupos no fim dos anos de 1930. Estas grandes bandas reduzidas especializaram-se em hard-swing, boogie-woogie, mais simples e temperados com letras bem humoradas e performances selvagens, e, foram chamadas de jump blues. Um detalhe importante é que esses grupos também chamados de combo blues surgiram também devido aos negros em suas dificuldades para manter o custo nas grandes cidades. Foi época da popularização dos negros pra grandes cidades, e foi também no pós guerra que o consumismo passa a aumentar, e, a guitarra elétrica ou guitarra acústica amplificada, passa a ser mais presente no blues, principalmente o de Chicago.
Uma gravação antiga de rhythm & blues ou jump blues pode ser encontrada na canção ‘’Boogie Woogie Bugle Boy’’ de 1941 pelas Andrews Sisters. Outra gravação é de Sonny Boy Williamson I de 1940, a ‘’New Early In The Morning’’, um blues mais moderno na sonoridade, com a influencia antiga do andamento dançante do country blues em específico o piedmont blues.

Country blues, piedmont blues

O country blues ou rural blues é o mais antigo gênero do blues, devido ao blues surgir das canções de trabalho nas fazendas de algodão e, o delta blues é o início de tudo. Piedmont blues surgiu depois, sendo também dos mais antigos tipos de blues, apesar de Memphis, que é do estado Tennessee ser cortado pelo rio Mississipi (raizes do delta). Contudo o delta blues se expandiu por todo o país. Este estilo foi encontrado principalmente na região entre as montanhas Apalaches ao oeste e planície costeira a leste, que se estende do sul ao norte de Atlanta para Washington DC, e é o mais diferente blues, se diferindo principalmente do delta, devido à característica da música apalache, originando vários estilos como ‘’memphis blues’’ e ’’jug bands’’ (bandas de jarro). Piedmonte blues é caracterizado pelo andamento mais rápido por causa da sua mistura com ragtime tocado ao banjo, sendo o pai da técnica finger-picking e, pela técnica das ‘’bandas de cordas’’ (string bands) da antiga música country.
Musicalmente é influenciada pelo ragtime, bandas de cordas, música apalache e o shows ambulantes de medicina (traveling medicine shows), ou seja é homogêneo de música branca e negra com sua vasta maioria negra, com exceções como um dos únicos brancos do blues, o Frank Hutchison. Um dos principais nomes do piedmont blues é Blind Blake.
A música apalache é a primeira forma da música country, sendo formada de notas blues, banjo oriundo da áfrica e principalmente da música européia, e era tocada principalmente por brancos. Ela era chamada de hillbilly (caipira), considerada degradante, e foi rotulada de old-time music como eufemismo nos anos de 1920 pela Okeh Records para descrever a forma de música de Fiddlin' John Carson, já que a Okeh havia criado a Race Records 3 anos antes com o sucesso do blues de Mamie Smith. O termo country music foi adotado nos anos de 1940 para evitar o termo hillbilly ainda usado na época. Substituiu também o termo old-time music.
Na década de 1920 a indústria fonográfica separou a música negra como ‘’Race Records’’ para música afro-americana e hillbilly para música de branco, e não havia uma divisão muito clara das duas músicas, exceto a etnia. Negros e brancos dividiam o mesmo repertório como músicos livres, e foi separado na imigração dos negros para áreas urbanas na década de 1920 em simultâneo com o desenvolvimento da indústria fonográfica. Blues serviu como código por uma gravação designada à vendas para negros, além do racismo.
A Okeh foi a primeira gravadora de Race Records e à gravar música country.

Sucesso e etimologia

Um dos pioneiros e à fazer sucessos no gênero foi Louis Jordan and His Tympany Five, com músicas inicialmente jazz-blues, passa a fazer sons mais dançantes e simples atingindo um público maior, quebrando a separação dos públicos branco e negro. O exemplo mais concreto de reconhecimento deste gênero foi Caldonia em 1945. Um outro exemplo jump dele é a ‘’G.I Jive’’ de 1944. O jump blues foi a primeira manifestação reconhecida do estilo musical rhythm & blues, sendo Louis Jordan conhecido como o pai do rhythm & blues. Caledonia é considerado como o nascimento do rock & roll. Por outro lado, com o impulso do jazz dos anos de 1930, o avanço do boogie woogie e pelo avanço tecnológico, os músicos influenciados fortemente pelo blues clássico passam a desenvolver o bar blues, onde eram tocados em guetos de Chicago, Detroit, que, era caracterizado pela presença da gaita e pelo blues mais rápido, e, pouco depois seria popularizado por Muddy Waters, Howllin Wolf, Elmore James, entre outros. Muddy Waters, foi principalmente blues puro, lento e melancólico, porém elétrico, conhecido como ‘’blues elétrico’’, e, das poucas canções estilisticamente rhythm & blues no início de sua carreira são a Last Time I Fool Around With You de 1949, Rollin’ And Tumblin’, entre outras. Estas duas com influência forte do memphis blues. Por sua vez a "Rollin’ And Tumblin'" é uma versão de Gus Cannon dos anos de 1920 (Minglewood Blues), um grupo de memphis blues de jug band, porem eletrificado, pesado e de roupagem diferente do piedmont blues dos anos de 1920 e 1930.
Seus rhythm & blues seguiriam uma linha do piedmont, delta blues, country, cajun, zydeco como Sugar Sweet' de 1955, All Aboard de 1956 e Got My Mojo Working de 1957 .
O termo por sua vez foi criado por Jerry Wexler em 1948 para tentar quebrar o termo race music popularizado pela Race Records, lembrando que, mesmo sendo uma música com certa influência de ambas as raças, era predominada por músicos negros. O ‘’R&B’’ em sua abreviação se refere também à tudo que envolvia e envolve até hoje a música negra, chamado de R&B Charts (paradas de R&B), e, em termos estilísticos o rhythm & blues começou a florescer em meados de 1930, e suas gravações na década de 1940. O estilo era caracterizado pelo 6/8 até os anos de 1950.
Nas paradas de R&B também incluíam blues genuínos, melódicos, jazz, swing, boogie woogie e gospel, gravados por músicos negros.

Música negra e música branca

A troca de influencia de raças já havia começado, segundo o historiador Bill Edwards, antes da Feira Mundial de Chicago de 1893 (data formal do surgimento do ragtime) em botecos americanos e dos bairros de bordéis, concorrendo, negociando e trocando tradições musicais, no caso estilos europeus e ritmos africanos. Assim se desenvolve o ragtime, e, depois surge a primeira variante do rag, o jazz, brotando através do ragtime e do blues. Os brancos por sua vez passam a ser cada vez mais presentes, e nos anos de 1930 com a influência da instrumentação do clássico passam a desenvolver as big bands, como exemplo Paul Whiteman e sua orquestra.
Com as big bands surge o swing, com uns dos pioneiros Benny Goodman, Glenn Miller, Count Basie, entre outros.  E um dos maiores nomes do rhythm & blues é um branco, o multi-instrumentista Johnny Otis, também líder de bandas de swing nos anos de 1940.
Outros exemplos desta troca de influencias são a música cajun, creole e zydeco, este último sendo uma influencia do rythm 'n' blues.

Crescimento do boogie woogie

No ano de 1938 ocorreu o primeiro maior evento de música de origem “inicial negra” do país, no Carnegie Hall chamado de ‘’From Spirituals To Swing’’ onde tocaram várias feras do swing, blues, boogie woogie como, Benny Goodman, Count Basie, Meade Lux Lewis, entre outros . Lá se destacou o boogie woogie com Big Joe Turner e Pete Johnson com Roll Em’ Pete, considerada das mais antigas gravações de rock, embora seja ainda um boogie bem rápido cantado, lembrando o seu primo stride em instrumental e andamento.
A partir deste evento, surgiu a loucura boogie (boogie crazy), onde todos os estilos passaram a implementar o boogie woogie nas canções, e o gênero passa à ser sucesso no país.
O boogie se desenvolveu no início do século XX principalmente nas honky tonks, bares que tinham de tudo, dança e música de várias etnias, além dos pianos verticais e mal cuidados, onde negros e brancos freqüentavam. Os negros eram da influencia tonal do blues na música honky tonk, música esta baseada nos ragtimes, e enfatizava mais o lado percussivo ou rítmico. A música honky tonk foi responsável pelo desenvolvimento do country moderno e do western swing. Diferente do boogie woogie, o stride, que vinha de Harlem, era mais rápido e virtuoso. Assim como o boogie woogie, seu irmão stride surgiu do ragtime na mesma época, ou seja, de uma diversidade etnocultural, ou uma homogeneidade identitária. O ragtime foi importante para o surgimento do jazz, sendo o stride uma das manifestações mais antigas do antigo jazz.
Músicos de country desenvolvem o bluegrass (estilo acústico), western swing, e, o swing desenvolve o jump blues, com uma volta às origens simples do blues e boogie woogie, porém mais harmônico que o blues e mais simples que o swing.

Tecnologia e eletricidade

Foi na época do swing que a guitarra elétrica passa a ser construída pela companhia Rickenbacher, vindo de guitarra havaiana, e depois contruindo a guitarra elétrica. Os primeiros guitarristas a usarem a guitarra elétrica foram do swing e western swing. Consta que a primeira gravação de guitarra elétrica foi em 1935 por Jim Boyd para o western swing. Passou a ser mais usada constantemente, e Les Paul (músico de country e jazz) cria no início dos anos de 1940 a guitarra de corpo sólido, a ‘’log guitar’’. Agora o rhythm & blues de Chicago com Muddy Waters e contemporâneos, de Memphis com B.B. King, e o jump blues começam a usar definitivamente a guitarra elétrica, além da fender telecaster.
Exemplo é o jump blues de 1945 de T-Bone Walker com uma guitarra forte e suja na T-Bone Boogie entre outros jumps com bastante guitarra em 1946 e 1947 dele, e em 1946 de Joe Turner com guitarra mais presente, a My Gal’s A Jockey, além da Salt Pork, West Virginia de 1946 de Louis Jordan com solo de guitarra presente, e por fim, o blues de chicago passa à desenvolver um blues mais pesado e dançante.
Segundo Fats Domino, o rhythm and blues não tem diferença do rock and roll, e Joe Turner disse uma certa vez; Rock 'n' roll não é nada mais do que um nome diferente para o mesmo tipo de música que ando cantando por toda a minha vida. Com a explosão do rock and roll, o rhythm and blues se fortalece ritmicamente evoluindo em mais estilos como o soul, no exemplo de I Got Woman de Ray Charles, um dos maiores clássicos do rock ’n’ roll, com influencia mais explícita do spirituals, e também Little Richard que foi o ídolo de James Brown e Otis Redding.

FONTE - Wikipédia

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