terça-feira, 22 de junho de 2010

Conhecendo uma Banda Sinfônica

Podemos definir banda sinfônica como um grande conjunto formado por instrumentos de sopro e percussão (60 a 90 músicos), que se diferencia das orquestras sinfônicas e das bandas tradicionais (civis ou militares) pela diversidade de sua formação instrumental e abrangência de repertório. Assim, além dos instrumentos normalmente empregados pelas bandas convencionais, utiliza oboés, corne-inglês, diversas espécies declarinetes e saxofones, vasto naipe de percussão (teclados: marimba, vibrafone, xilofone, glockenspiel; tímpanos, bombos, campanas, etc...) e cordas (piano, contrabaixos e, em alguns casos, violoncelos). Esta formação pode ser alterada de acordo com a natureza das obras e , tal flexibilidade torna-a apta à execução de transcrições do repertório concebido para a orquestra sinfônica e particularmente adequada às experimentações da música contemporânea justificando assim o fato de seu já vasto repertório original ser fruto da produção artística do século XX.
N o Brasil, a palavra banda é geralmente associada às formações militares, aos coretos das cidades do interior e, ainda, ao circo; mas apenas muito ocasionalmente a um corpo sinfônico estável, voltado para a música de concerto do mais alto nível de excelência como é o caso da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo. Assim, antes de mais nada, a música que se entende destinada à essa formação parece restringir-se às marchas (festivas ou fúnebres), dobrados, fanfarras, hinos e excertos operísticos. Essas obras, entretanto, em que pese a nobreza de tratamento que possam eventualmente apresentar, sequer se aproximam das imensas possibilidades e potencialidades musicais desse agrupamento. A chamada música para instrumentos de sopro, que constitui a essência mas não a integralidade do trabalho de uma banda, originou-se nas cerimônias solenes, fúnebres e festivas. Tal música varia enormemente, das fanfarras para metais, passando pelas delicadas serenatas e divertimentos para sopros, até obras extremamente elaboradas como a "Sinfonia Fúnebre e Triunfal" de Berlioz.
G iovanni Gabrieli (1557-1612), mestre de capela da Catedral de São Marcos em Veneza, aproveitou a presença das naves do sacro edifício para compor magníficas peças antifonais e policorais que empregavam considerável numero de instrumentos de sopro. A Alemanha dos séculos XVII e XVIII testemunhou um notável desenvolvimento técnico dos instrumentos de metal, que pode ainda hoje ser apreciado em partituras de Bach, Haendel e Telleman. A época de Haydn e Mozart constituiu, também, um avanço técnico e expressivo para os sopros, ao mesmo tempo em que certas circunstâncias econômicas e sociais, verificáveis nas cortes e nas casas da nobreza do então vigoroso Império Austro-Húngaro, estimularam a composição de serenatas e divertimentos para execução em ambientes abertos e fechados, nas mais variadas ocasiões. As três grandes serenatas para sopros de Mozart, encontram-se entre as obras primas produzidas nesse período. A Revolução Francesa, assim como o Império Napoleônico que lhe seguiu, propiciaram o ressurgimento da música triunfante e cerimonial para metais, à maneira de Gabrielli, gênero do qual o Réquiem e a "Sinfonia Fúnebre e Triunfal" de Berlioz, são felizes exemplos
O declínio das cerimônias cívicas e religiosas, associado à decadência das cortes européias no século XIX, relegou a produção para sopros a um patamar secundário. Apenas umas poucas obras importantes, como a Pequena Sinfonia para Sopros de Gounod, a Serenata em Lá de Brahms (destinada à "orquestra sem violinos" para destacar a sonoridade e expressividade dos sopros) e a Serenata para Sopros de Richard Strauss, contribuíram para manter acesa a chama daquele que parecia ser um meio obsoleto de expressão. A redescoberta dos "coros de sopros" encabeçada por Gustav Mahler, o movimento neoclássico que sucedeu a Primeira Grande Guerra e a necessidade de partituras destinadas aos conjuntos menores, além do surgimento de concursos de bandas e fanfarras na Inglaterra, pavimentaram o caminho triunfante dos sopros no século XX, preparando aquilo que viria a ser o seu principal veículo de divulgação da produção contemporânea.
A assombrosa multiplicação das bandas militares e escolares no novo centro econômico e cultural do mundo - os Estados Unidos da América - constituíram uma verdadeira revolução em termos de formação e repertório das bandas. No espaço de apenas vinte anos, a partir de meados da década de 1930, vieram à luz inumeráveis obras-primas destinadas às diversas combinações de instrumentos de sopros. Paul Hindemith, Serge Prokofiev, Arnold Schoemberg e Darius Milhaud, são apenas alguns dos maiores compositores deste século que escreveram especificamente para bandas, mas foram os compositores norte-americanos que a adotaram como seu principal meio de expressão e enriqueceram enormemente sua literatura de concerto. Obras como o Divertimento de Vicent Persichetti, inauguraram um novo conceito de instrumentação para esse tipo de formação e contribuíram para o alargamento dos horizontes e fronteiras da composição moderna.Robert Russell Bennett, Morton Gould, Gunther Schuller, Karel Husa, Alfred Reed, Johan de Meij e Micael Colgrass são alguns dos mais importantes compositores deste século que tem como característica central de suas obras a produção para sopros.

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