terça-feira, 1 de junho de 2010

Instrumentos - VIOLA DE COCHO

A Viola-de-Cocho é um instrumento musical encontrado nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no centro-oeste brasileiro. Recebe este nome por ser confeccionada em tronco de madeira inteiriço, esculpido no formato de uma viola e escavado na parte que corresponde à caixa de ressonância. Esse instrumento é feito da mesma maneira como se faz um cocho, objeto lavrado em um tronco maciço de árvore usado para colocar alimentos para animais na zona rural. Nesse "cocho" é afixado um tampo e as partes que caracterizam o instrumento, como o cavalete, o espelho, o rastilho e as cravelhas. A Viola-de-Cocho foi reconhecida como patrimônio nacional, registrada no livro dos saberes do patrimônio imaterial brasileiro em dezembro de 2004.

Composição e fabricação

O instrumento se apresenta com cinco ordens de cordas simples. São várias as madeiras utilizadas: para o corpo do instrumento, a Ximbuva e o Sarã; para o tampo, raiz de Figueira branca; e para as demais peças, o Cedro. As violas armam-se com quatro cordas de tripa e uma revestida de metal. Atualmente, as cordas de tripa estão sendo substituídas por linhas de pescar - segundo os violeiros, bem inferiores às de tripa -, devido à proibição de caça na região do Pantanal.
Atualmente existem vários "fazedores" de viola de cocho, como se autointitulam os construtores do instrumento. Os principais pólos de fabricação artesanal do instrumento são:
  • Cuiabá (Mato Grosso): ali os principais construtores Caetano Ribeiro e seu filho Alcides Ribeiro, além de artesãos como Manoel Severino, Francisco Sales, Seu Bugre entre outros.
  • Corumbá (Mato Grosso do Sul): ali a viola de cocho é fabricada artesanalmente por cururueiros como Seu Agripino, Seu Vitalino, Seu Severino e Seu Inacinho.

O furo

Viola-de-Cocho com furo
 
 
Algumas violas possuem um pequeno circular no tampo, medindo de 0,5 a 1 cm de diâmetro, outras não. A viola sem furo é recente. Segundo alguns violeiros, a viola com furo dava muito trabalho, porque sempre entravam, por este furo, aranhas e outros animais, prejudicando o som do instrumento.

Afinação

A viola-de-cocho possui sempre cinco ordens de cordas, denominadas prima, contra, corda do meio, canotio e resposta. São afinadas de dois modos distintos, canotio solto (de baixo para cima, ré, lá, mi, ré, sol) e canotio preso (de baixo para cima, ré, lá, mi, dó, sol).

História

A viola de cocho é fabricada também de outras madeiras, como a mangueira, cajá manga, imbiruçu, consideradas madeiras macias, onde proporciona uma excelente ressonância. As cordas são de tripas, normalmente de macacos, ouriços que eram as melhores e sua durabilidade não era tão duravel quanto a linha de pescar. Pois as cordas das tripas de animais logo começava a esfarelar e partia devido o seu ressecamento. A linha de pescar oferece uma ressonancia melhor acompanhada do canutilho, a quarta corda de violão.
De origem provavelmente asiática, derivando do alaúde árabe, a viola-de-cocho abrasileirou-se na madeira, nas cordas e no jeito de tocar e é hoje uma característica marcante da cultura mato-grossense e sul-mato-grossense. É endêmico do Pantanal e deu vida aos ritmos pantaneiros: o cururu e o siriri, que são usados para celebrar os folguedos populares onde homens, mulheres e crianças se juntam sob a igualdade de uma cultura que já ultrapassa um centenário.
É usada também em manifestações populares da região, como a dança de São Gonçalo, folião, ladainha, rasqueado limpa banco (ou rasqueado cuiabano), e em festas religiosas tradicionais realizadas por devotos associados em irmandades.
Existem relatos sobre a viola desde o fim do século XIX, quando o cientista alemão Karl von den Steinen descreveu as festas religiosas do Pantanal, onde se cantava o cururu. No Brasil, as origens são pouco claras: acredita-se que tenha vindo de São Paulo, acompanhando a expansão bandeirante para a região centro-oeste.

Popularidade

Com a chegada da televisão e do rádio na região, por volta dos anos 1950, a viola-de-cocho começou a perder a popularidade entre a comunidade local, que a produzia de forma artesanal. E agora o artesão mais famoso de viola de cocho de mato grosso tem um site, visite e aprendem mais sobre a viola de cocho, Site é www.viola-de-cocho.blogspot.com. Visitem e aprendam.
Esse processo quase levou à extinção do instrumento. A arte de esculpir e tanger violas de cocho é de domínio, em geral, de pessoas de mais idade. Com a chegada da televisão, por volta da década de 50, seu uso foi ficando cada vez mais restrito às área mais distantes das cidades.
Mas nos últimos 15 anos, a viola- de-cocho voltou a ser um dos instrumentos mais populares de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Parte dessa reviravolta aconteceu por conta de iniciativas pessoais e institucionais, como os trabalhos de Julieta Andrade, do músico e pesquisador Roberto Corrêa e, também, de Abel Santos Anjos Filho, músico e professor da Universidade Federal do Mato Grosso. A pesquisadora Julieta Andrade publicou importante trabalho intitulado "Cocho Mato-Grossense" no qual faz uma genealogia do instrumento. Roberto Corrêa pesquisou a viola de cocho já na década de 1980, em trabalho publicado pelo, então, Instituto Nacional do Folclore, juntamente com a pesquisadora Elizabeth Travassos. Abel Santos esteve em Brasília para lançar o livro "Uma Melodia Histórica", no qual explora as raízes da viola-de-cocho e conta a história do instrumento desde antes da chegada ao Brasil.
Em janeiro de 2005 o Ministério da Cultura, seguindo as diretrizes da atual Política de Patrimônio Imaterial do governo brasileiro, promoveu o "Registro" do Modo de Fazer a Viola de Cocho como Patrimônio Imaterial do Brasil. O registro equivale, para o patrimônio imaterial, à figura jurídica do tombamento para os bens culturais de natureza material. Com a implementação da atual política o governo brasileiro vem registrando inúmeros bens culturais de natureza imaterial em todas as regiões brasileiras. Apesar da primeira menção histórica sobre viola de cocho ser, segundo a assessoria de comunicação do Ministério da Cultura, em nota naquela data, no final do século XIX, sua importância para a cultura popular da região matogrossense e pantaneira é grande por se tratar de um instrumento completamente adaptado ao ambiente e às circunstâncias locais.

Nem todo cururueiro é artesão de seus instrumentos, mas, pelo menos em tese, todo artesão de viola deve ser cururueiro e, assim, ter conhecimento do potencial sonoro do instrumento que fabrica. Tanto em Mato Grosso quanto em Mato Grosso do Sul existem cururueiros que são referências na fabricação dos instrumentos.

FONTE - Wikipédia

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