segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

França inova com aulas de música para surdos


Em um primeiro momento, a idéia pode parecer contraditória: uma aula de música e dança para surdos. No entanto, o projeto das aulas está dando tão certo em Paris, na França, que o grupo de alunos já promoveu até um festival aberto ao público, com shows de rock, percussão e dança. Seria o único curso do gênero na Europa, conforme a direção.

O princípio é simples: em uma sala isolada acusticamente, basta tocar a música em um volume alto o suficiente para que o corpo sinta a vibração das ondas sonoras. Através das "pancadas", os alunos identificam o ritmo e em pouco tempo aprendem a repeti-lo e a criar as próprias melodias.
"As pessoas têm preconceitos contra os surdos, como supor que eles são limitados para todas as atividades que envolvam som. Não digo que são preconceitos negativos, mas elas simplesmente não pensam que um surdo pode ir muito mais além do que imaginam. A música entrou na minha vida naturalmente, da mesma forma que entrou na sua", esclarece, em linguagem de sinais e traduzido por uma voluntária de audição normal, um dos idealizadores da associação, Maati el Hachimi.
Hachimi é o professor de percussão da Associação Chandanse des Sourds (em português, algo como "canto e dança dos surdos"). Muito ativo e sorridente o tempo todo, ele explica que a maioria dos cerca de 30 alunos do curso inicia as aulas bastante tímida, mas que, logo ao sentir que são capazes de avançar, eles se soltam e se apaixonam pela nova atividade.
"Sempre senti a música em eventos grandes dos quais participei, mas nunca me imaginei dançando de verdade. Hoje eu adoro ir às festas com meus amigos e danço como qualquer pessoa", conta Céline, 17 anos e aluna de tecktonik, uma dança eletrônica muito tradicional entre os jovens franceses.
São as aulas de tecktonik que mais atraem participantes, impulsionados pela moda característica deste estilo, que invadiu as ruas de Paris nos últimos dois anos. Na última quarta-feira, eram dez jovens com entre 15 e 19 anos realizando coreografias perfeitamente sincronizadas com o som. Alguém que entrasse ao acaso na sala jamais diria que eles não escutavam nada da melodia que dançavam e que na verdade faziam os movimentos baseados na vibração da música techno em último volume.
"Pare de anotar coisas aí no seu caderninho e venha dançar com a gente. Vamos ver quem é melhor", desafiou por escrito o estudante Cédric, já suado depois de meia hora de dança.
A associação também oferece curso de teatro, hip hop e até de dança do ventre e dança espanhola. Todos os professores são surdos, e o ano de atividades custa entre 270 e 450 euros (R$ 704 a R$ 1174).
Tamanha dedicação resultou em um megafestival no ano passado, o Festival do Silêncio, Durante quatro dias, 1,5 mil pessoas de 14 países realizaram atividades, além de 3 mil expectadores. A próxima edição está prevista para 2010.
"Não tem desculpa para não se deixar levar pela música. Se outros países ainda não têm iniciativas semelhantes é só por falta de vontade. Basta montar um grupo e se organizar", resume o professor de bateria, Alban Leduc.
FONTE - Redação Terra

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