sábado, 19 de fevereiro de 2011

Melodia e harmonia ditam ritmo do corpo

A musicoterapia é um tratamento alternativo que surgiu em 1944, nos EUA, embora evidências em papiros médicos egípcios datados de 1500 a.C., encontrados pelo antropólogo francês Vlande Petkie no século 19, mencionassem os efeitos benéficos que a música pudesse provocar na fertilização da mulher.

A técnica estuda as reações do indivíduo diante de estímulos sonoro-musicais e tem por objetivo facilitar a comunicação e estimular a relação, motivação e o aprendizagem de pessoas ou portadores de deficiências.

A terapia tem sido bastante utilizada em deficientes físicos e mentais, pessoas com transtornos neurológicos (Mal de Parkinson, de Alzheimer, Síndrome de Down), distúrbios da linguagem (dificuldades na fala), surdez e cegueira.

Mas sua aplicação não pára por aí. Segundo especialistas, em mulheres gestantes, por exemplo, os sons estimulam o bebê a ser mais criativo e comunicativo após o nascimento. Nas escolas, a musicoterapia ajuda no aprendizado da criança e, em idosos, auxilia no desenvolvimento da valorização individual. Mas há uma contra-indicação para indivíduos com epilepsia musicogênica, ou seja, determinados ruídos ou músicas podem provocar ataques epiléticos.

Nos EUA, estudo da Universidade da Califórnia com vítimas crônicas de enxaqueca demonstraram que pacientes reagiram melhor aos medicamentos tradicionais quando submetidos à musicoterapia. Melhor, inclusive, do que sessões de relaxamento.

Do ponto de vista psicológico, a musicoterapia favorece o desenvolvimento emocional e afetivo. O ritmo ameniza a ansiedade do cotidiano, o estresse, a insônia e estimula a criatividade. Fisicamente, a técnica ativa o tato e o ouvido, a circulação sanguínea, a respiração e os reflexos.

Metodologia

A técnica consiste em saber usar a linguagem sonora, verbal e corporal em benefício próprio. O musicoterapeuta lança mão de audições musicais, atividades ritmicas e a percepção de sons corporais, instrumentais e vocais e a improvisação (inclusive dramática).

Antes do início do tratamento, o musicoterapeuta entrevista o paciente e faz um histórico pessoal. A partir dessas informações, elabora-se a história sonoro-musical e alguns testes são feitos para avaliar a audição, e de que forma a pessoa percebe o som. 

Nem sempre a sessão começa com relaxamento, cada caso requer um direcionamento específico do processo terapêutico. Para alguns indivíduos que sofrem de estresse, ansiedade e depressão é indicado o relaxamento prévio. Quando a terapia é em grupo, o musicoterapeuta pode sugerir o aquecimento.

Na musicoterapia definida como receptiva, sons da natureza e a música "new age" geralmente auxiliam a tranquilizar o paciente. Em alguns indivíduos, por exemplo, tal gênero musical tem efeito contrário, isto é, causa irritação. Por isso 
a sonoridade relacionada com a vida "musical" do paciente é levada em conta.

O musicoterapeuta deve escolher corretamente a música: alguns temas de filmes, por exemplo, são relaxantes, mas podem trazer uma emoção indesejada no paciente naquele momento da terapia.

Violão, piano, teclados, sintetizadores e instrumentos de percussão, como pandeiros, bongôs, reco-recos, entram em cena no modo definido como ativo da terapia.

Em alguns casos, por exemplo, usam-se outras terapias integradas, como a arteterapia, cantoterapia, dançaterapia e a psicologia durante o processo. 

Outra modalidade, a projetiva, trabalha com a audição de músicas e de sons, na qual o indivíduo expressará o que ouve por meio do desenho, da escrita ou da modelagem.

O psicodrama é outra das ferramentas: voz, corpo e instrumentos integrados ajudam a potencializar a criatividade do paciente.

Os musicoterapeutas afirmam que as sessões são sempre direcionada de acordo com o objetivo e o tipo de problema desenvolvido pelo indivíduo.
Em casos de depressão, estresse e ansiedade os benefícios podem ser sentidos após quatro meses de tratamento.


Fontes: Maristela Pires da Cruz Smith, presidente da Associação de Profissionais e Estudantes de Musicoterapia do Estado de São Paulo, e Conceição Rossi, musicoterapeuta e terapeuta holística da Endocrino-Clínica de São Paulo.

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