sábado, 9 de abril de 2011

PIANISTAS - BRAD MEHLDAU


Alguém aqui já ouviu falar desse nome esquisito, Brad Mehldau? Ainda não? Se por acaso algum de vocês tem gosto por pianistas de Jazz, não existe mais nenhum segredo, o único compromisso é encontrar algum material de Brad Mehldau e escutar até a exaustão.
Dizendo de uma forma confusa o que significa o som de Mehldau, é mais ou menos assim (é lógico que todos sabem que é impossível explicar a música…). Mehldau é o tipo de pianista que você escuta algumas vezes no começo e não dá nada pra ele, você pensa que ele é mais um: não tem muito swing, não tem muita pegada, não é tão lírico quanto o Bill Evans, nem tão original quanto Chick Corea nem Keith Jarret. Aí você não dá nada e passa batido.
Mas o som de Brad Mehldau tem um caminho, um jeito próprio de ouvir que é muito característico de grandes músicos: você tem que escutar várias vezes, até o som penetrar nas suas fracas concepções musicais, até aquele seu repertoriozinho de melodias descongelar um pouco em sua mente e abrir espaço ao novo, a um trabalho musical de verdade.
Mehldau é pra quem gosta de pensar musicalmente, ele é econômico nos temas, sofisticado nas escolhas melódicas. Depois de escolhida as bases melódicas vem algo melhor, que é o seu tratamento obsessivo ao explorar musicalmente as possibilidades harmonicas do tema. Mehldau é como os grandes, de Bill Evans a John Coltrane, obsessivo no tratamento dos temas: ele repete e repete o tema nas variações realizando de forma jazzística o que de melhor nos legou a música erudita: a forma clássica do tema e variação.
Exemplo dessa riqueza musical de Brad Mehldau pode ser verificada em seu último álbum, com certeza o maior dos últimos álbuns lançados no gênero jazz: House on Hill.
houseonhill.jpg
Neste álbum, Mehldau reune o melhor de sua gravação de estúdio do período de 2002 a 2005. O resultado é um trio impecável, com Larry Grenadier, no baixo, e Jorge Rossy, na bateria. Grenadier é um bom parceiro musical que cumpre bem a sua responsabilidade com um instrumento tão exigente como o contrabaixo. Rossy é um baterista muito original, que tem uma pegada do rock, mas toca jazz com muita inteligência e habilidade: lembra DeJonhnette, mas sem seus exageros.
Em House on Hill, seguindo o modo de seu criador, aparentemente estamos diante de um álbum sem grandes destaques. Escutamos a boa música e parece que é só isso. Mas basta escutar de forma recorrente e atenta que a obra de arte se revela.
As faixas do álbum seguem um esquema muito comum no jazz, que é a apresentação do tema no início, seguido das improvisações, retorno do tema e finalização. Aos poucos você vai descobrindo o tema de cada faixa, depois vai notando a riqueza das variações: quanto mais ouve, mais quer ouvir. Os temas são simples, sofisticados, mas vão crescendo verticalmente conforme as variações vão expandindo a sua riqueza temática. Depois você começa a notar que os temas de cada faixa parecem variação de um tema único que perpassa o álbum todo, e que a partir disso você está livre, escutando música num grau tão elevado e sublime que as coisas fluem e se sucedem no tempo a despeito de qualquer forma ou formato musical. Aí você quer ouvir o álbum novamente, porque neste momento House on Hill já virou outra coisa: algo que você não imaginava. A cada vez que você toca o cd é presenteado com algo novo. Marca da boa música: algo que permanece e se renova, se repete e se recicla, sempre viva.
Mais um motivo para você acreditar que o Jazz está vivo, não é um artigo de museu.
Ps: Brad Mehldau gosta de dialogar com o presente. Ele já gravou faixas do Radiohead, Beatles e está de olho na música brasileira. Abaixo, She´s leaving home, dos Beatles. Detalhe: essa faixa não faz parte de House on Hill.


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