quinta-feira, 14 de abril de 2011

A Vida de Beethoven

Ludwig van Beethoven nasceu em Bonn, na Alemanha, em dezembro de 1770. 
Há quem diga que foi o maior gênio da música de todos os tempos. Outros afirmam que ele está além de qualquer classificação.
O pai de Beethoven era tenor e, percebendo o talento de seu filho, chamou Christian Gottlob Neefe para ensiná-lo a música. Neefe submeteu-o a uma intensa disciplina, que fez com que aos 14 anos Beethoven obtivesse o posto de segundo organista da capela do principado de Colônia, convertendo-se em músico de ofício.
Beethoven conhecia sua genialidade, o que o fazia um aluno para o qual não é fácil ensinar. Ele utilizava harmonias que, na época, eram consideradas inadmissíveis. Um dia seu professor comentou isso, e Beethoven lhe disse: "Quem proibiu essas harmonias ? Eu admito cada uma delas".
Aos 15 anos compôs suas primeiras obras: Três quartetos de cordas e um concerto para piano. Quando Beethoven tinha 17 anos, o príncipe Maximiliano resolveu mandar enviá-lo para Viena para que pudesse ampliar sua formação musical e encontrar Mozart, o que não sabemos se realmente ocorreu. Sua volta a Bonn ocorreu antes do previsto, devido à saúde de sua mãe, que faleceu logo depois. 
Depois do incidente o pai de Beethoven perdeu a razão, sendo que Beethoven teve de passar a dar aulas particulares de piano para jovens burguesas para sustentar seus dois irmãos menores.
Aos 20 anos ele compôs seus dois primeiros encargos oficiais: Duas cantatas, uma pela morte de Maximiliano II e outra pela subida ao trono de Leopoldo II.
Em 1792, o célebre compositor Joseph Haydn visitou Bonn, e foi apresentado a Beethoven. Beethoven mostrou-lhe algumas de suas obras, e Haydn, impressionado, propôs que Beethoven se mudasse para Vienna para que pudesse ser seu aluno. Ainda em 1792, Beethoven instalou-se em Viena para tornar-se aluno de Haydn, tendo sua estância na capital da música financiada por Leopoldo II. Recebeu aulas de forma irregular, pois Haydn estava no auge de sua carreira e tinha de sair da cidade freqüentemente, para atender às solicitações. 
A relação entre os dois é tensa, devido a suas diferenças musicais. Embora Haydn reconhecesse o talento de seu aluno, Haydn não compreendia a música de Beethoven (De um modo geral, a música de Beethoven não era compreendida por ninguém em sua época, devido ao seu caráter quase romântico.).
Beethoven também estava descontente devido a pouca atenção de seu mestre para com ele. Assim, em 1974, Beethoven aproveitou-se de uma viagem de Haydn a Londres, Beethoven procurou um novo mestre: O contrapontista Georg Albrechtsberger.
Em Viena, capital da música na época, Beethoven viu sua situação financeira melhorar muito, convertendo-se no primeiro músico a receber tratamento igualitário. Conquistou admiração e respeito, pois além de ser notável pianista (Beethoven ainda não era conhecido por suas obras, mas era excelente pianista) era uma pessoa culta, cuja companhia era disputada por todos, que toleravam seu caráter difícil e seus modos.

Beethoven era um tanto gordo, tinha 1m70 de altura, cabeça desproporcional e cabeleira rebelde e desgrenhada. Era irritadiço, esquecido, sem o menor refinamento. Solteirro, morou em lugares bagunçados e sujos. Espalhava partituras pela sala e seus móveis eram cobertos de poeira. Tinha estranhos hábitos, como o de cuspir a qualquer momento e em qualquer lugar. Era desajeitado, espalhando destruição por onde passava. Comparado a Chopin, por exemplo, seria pouco menos que um troglodita.
Consolidada sua fama como pianista explosivo e inovador, aos 30 anos começou a compor. No início foi recebido com indiferença. Sua Sinfonia No 3 "Heríica" foi um ponto de mudança radical na história da música e na vida de Beethoven. Sua genialidade passou a ser reconhecida. 
Ela estreou em 7 de abril de 1805. Ninguém jamais havia escrito uma sinfonia tão longa, complexa e explosiva. Até aquele dia, era como se a sonoridade das orquestras não tivesse existido. A platéia não compreendeu bem a sinfonia e suas dimensões. Mas sabia que havia ouvido algo monumental. A sinfonia "Heríca" dura cerca de uma hora. Nenhuma sinfonia de Mozart ou Haydn durava mais que a metade. 
Beethoven havia entrado no futuro da música. Sabia que estava certo. A humanidade que esperasse sua vez de chegar ao futuro.
Nesta época, Beethoven começou a sofrer de surdez. Em 1807 já estava completamente surdo. Mesmo surdo, por incrível que pareça, Beethoven continuou tocando piano, regendo orquestras e, sobretudo, compondo. Aliás, suas obras mais famosas foram compostas quando ele estava parcialmente surdo, e sua obra prima, a Nona Sinfonia "Coral" foi composta quando ele já estava totalmente surdo, não podendo ouvir sua própria música.
A partir de 1811, sua produção começou a diminuir, devido a sua complicada vida pessoal e sua alma atormentada. Beetoven mergulhava em seu mundo interior.
Escreveu uma missa, vários quartetos e belíssimas sonatas para piano.
Em 1824 estreava sua obra derradeira: A Nona Sinfonia. Houveram apenas 2 ensaios, e a estréia foi um desastre. O coro não atingia as notas mais altas e protestava, exigindo mudanças. Beethoven nem respondeu. Apesar disso, o público sabia que estava diante de um marco na história da música. Aplaudiu durante longos minutos. Beethoven, sentado na primeira fila e surdo, não percebeu. Foi preciso que alguém o fizesse dar meia volta para que ele pudesse ver o impacto de sua obra sobre o público. Para Beethoven, era a consagração silenciosa.
Beethoven morreu três anos depois dessa estréia. Sofreu de uma longa doença.
O fim da vida de Ludwig van Beethoven, coroado de glórias e sucessos, mas idoso, surdo, desamparado e moralmente abatido pela tentativa de suicídio do sobrinho, ocorreu no ocaso de 26 de março de 1827. Seu último ato foi levantar o punho fechado, em um gesto de desafio ao destino
Beethoven morreu, mas sua obra é imortal, e sua influência duraria muito mais que os seus 57 anos de vida.


Principais obras
Aqui irei citar as obras de maior importância de Beethoven.
Sonatas
Beethoven compôs 32 belíssimas sonatas para piano. Aqui vão algumas das mais famosas.
Sonata Ao Luar, Opus 27 
Sonata Patética, Opus 13 
Sonata Apassionata, Opus 57 
Sonata No 20, Opus 49 
Sonata No 21, Opus 53 
Sonata No 25, Opus 79 
Sonata Opus 106 
Sonata No 1, Opus 02 
Sonata Opus 10

Beethoven compôs nove sinfonias de beleza extraordinária. Listo todas aqui.
Sinfonias
Sinfonia No 1, Opus 21 
Sinfonia No 2, Opus 36 
Sinfonia No 3 "Heróica", Opus 55 
Sinfonia No 4, Opus 60 
Sinfonia No 5, Opus 67 
Sinfonia No 6 "Pastoral", Opus 68 
Sinfonia No 7, Opus 92 
Sinfonia No 8, Opus 93 
Sinfonia No 9 "Coral" Opus 125
Quartetos de Cordas
Os quartetos de cordas de Beethoven são divididos de acordo com o período. Você pode encontrar coleções "The early quartets", "The middle Quartets" e "The late quartets", ou coisa parecida. Aqui só cito os dois mais conhecidos:
Quarteto de Cordas Opus 59 
Quarteto de Cordas Opus 132
Concertos para piano
Beethoven compôs 5 concertos para piano. Os de maior destaque são:
Concerto para Piano No 4, Opus 58 
Concerto para Piano No 5 "Imperador", Opus 73
Além de quartetos, sonatas, sinfonias e concertos para piano, temos a missa solene, o concerto para violino e a ópera Fidelio. As outras obras são obras curtas e agradáveis, feitas principalmente para agradecer favores de aristocratas ou encomendadas.


Períodos Musicais

Falando de Beethoven, costumamos dividir sua obra em três Períodos.
O primeiro período engloba as suas primeiras obras, que eram compostas segundo as regras da época e sofriam a influência de Haydn. 
Destacam-se as primeiras sinfonias: Sinfonia No 1, Opus 21 e sinfonia No 2, Opus 36.
O segundo período foi o mais prol?fico. Beethoven havia amadurecido rapidamente e experimentava novas fórmulas, passando a expressar na música as suas emoções. Esse período compreende, entre outras obras, da Terceira Sinfonia à Oitava, Os concertos para piano do No 3 ao 5, um concerto para violino, violoncelo e piano, além de sonatas, quartetos e a ópera Fidelio.
O terceiro período começa por volta de 1814, quando Beethoven encontrava-se completamente surdo. Sua impossibilidade de ouvir a própria música e seu isolamento marcam uma clara diferença com relação às produções anteriores. Este período compreende a Missa Solene, suas últimas sonatas e quartetos e sua obra mais importante, um marco na história da música, cuja beleza jamais foi ou será igualada, quanto mais superada: A Nona Sinfonia.


Frases sobre Beethoven
" Alguns dizem que ele foi o maior músico de todos os tempos. Outros preferem dizer que ele está acima de qualquer definição "
" É incorreto dizer que ele foi a ponte entre o classicismo e o romantismo. Weber e Schubert foram a ponte entre o classicismo e o romantismo. Beethoven foi a ponte entre tudo o que veio antes dele e tudo o que veio depois. "
" Beethoven foi o único homem que compôs contra sua época, e não para ela. "
" Beethoven estava certo. A humanidade que esperasse sua vez de entender o futuro. "
" A Nona Sinfonia foi o pesadelo de todos os compositores que vieram depois de Beethoven. Eles a tomaram como um ideal a ser alcançado. Depois perceberam que era uma tarefa impossível. " 
- Claude Debussy
" Depois dele, o que fazer? "
" O que está em meu coração precisa sair para a superfície. Por isso preciso compor. "
- Beethoven
" Certamente será um segundo Mozart. "
- Um de seus professores
" Jamais conheci um artista que exibisse tamanha concentração espiritual e tamanha intensidade, tanta vitalidade e grandeza de coração. Compreendo perfeitamente que, para ele, deva ser muito difícil se adaptar ao mundo e às suas formas. "
- Goethe
" Foi o primeiro músico a descobrir que a obra era eterna. Compunha para se preservar durante a eternidade. Compunha para ser lembrado. Compunha para viver, e vivia para compor. "
" A maneira como ele trata o instrumento é diferente da que estamos acostumados a ouvir. Nos dá a idéia de que alcançou esse nível de excelência tão alto seguindo seu próprio caminho, o caminho de seu próprio descobrimento. "
- Junker, um crítico da época, sobre a maneira de Beethoven tocar piano
" Ele exigia sentar-se ao lado do anfitrião na mesa. Sabia que era extraordinário. Podia se dar a esse luxo. "
" Eu não negocio. Ponho o preço e eles pagam. "
- Beethoven em uma carta a um amigo.

A Nona Sinfônia
A Nona Sinfonia foi a obra prima de Beethoven e, sem dúvida, uma das mais belas sinfonias de todos os tempos. 
Ela se diferencia muito das outras obras de Beethoven, pois ele já estava totalmente surdo ao escrevê-la.É no mínimo curioso o fato de um homem surdo, incapaz de ouvir a própria música, tenha composto uma obra fantástica, de tamanha beleza, comparável apenas às melhores sinfonias de Mozart, talvez.
Seu primeiro movimento é Allegro ma non troppo, un poco maestoso. Ele começa com um som muito baixo, quase inaudível, que parece estar soando a mais tempo, sem que tenhamos percebido. Temos uma pequena introdução e depois começa o movimento rápido, muito belo e perfeito.
Após este movimento, temos o Molto vivace, cujo início é muito conhecido, chegando a tocar até em telenovelas. Depois disso, começa um movimento mais rápido, que eu, na primeira vez que ouvi, tive a impressão de já ter escutado antes. Isso costuma ocorrer com a maioria das pessoas que se interessam por música erudita, e não só com essa música, mas com várias outras. Quando a música é realmente bela, nós temos essa impressão.
O terceiro movimento é o Adagio molto e cantabile, simplesmente fantástico. É magnífico, carregado de emoção. Ele simplesmente dispensa comentários.
Por fim, nós temos o quarto movimento, Presto: Allegro assai, que dispensaria qualquer comentário. Ele encerra a maior sinfonia da história com chave de ouro. É neste movimento que entra a voz, que dá o nome dá sinfonia (Coral). Na primeira apresentação, o coral não conseguia atingir as notas mais altas e exigiu mudanças. Beethoven nem se deu o trabalho de responder. E com razão. Beethoven sabia que estava certo. Sua obra era para uma orquestra do futuro. Beethoven não iria se adaptar à sua época. sua época que se adaptasse a ele. O quarto movimento é o testamento vocal de Beethoven.
O final é muito elevado. É uma sinfonia além de qualquer definição. Não é clássica, tampouco romântica. Só sabemos que é magnífica. E isso já basta.
Mais tarde, Debussy diria que a Nona Sinfonia é o pesadelo dos músicos que vieram depois de Beethoven. Eles tomavam a Nona Sinfonia como um ideal a ser alcançado a qualquer preço. Depois compreenderiam que é uma tarefa impossível.
E essa é a maior obra do maior compositor de todos os tempos.

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