quinta-feira, 21 de julho de 2011

A Música Na Igreja

A Música Na Igreja

Autor: CHARLES ANDERSON RAMOS LORETI

INTRODUÇÃO
Quando falamos de música hoje na igreja o assunto é bem diferente de duas ou três décadas atrás. O discurso não é mais se pode ter ou não bateria na igreja, se as mulheres podem ou não cantar de calça jeans, se pode ou não subir no púlpito para cantar. Hoje creio que a discursão tem três frentes -- o que cantar? Qual a forma de cantar? E qual é o propósito de cantar? O texto básico da nossa lição, lança luz no tema em pauta chamando a nossa atenção para cuidar do nosso andar, procurando conhecer a vontade do Senhor e buscando uma vida na plenitude do Espírito.



A hermenêutica do louvor

Com a expressão cheio do Espírito o apóstolo Paulo quer dizer o seguinte “eu me encho e deixo-me encher’ e esta vida completa no Espírito nos habilita a ter uma correta interpretação da música ao nosso Deus, pois a mesma louvará ao Senhor com hinos e cânticos espirituais. Nos nossos dias temos vivenciado um problema na igreja -- o que cantar? Percebemos que o conteúdo dos cânticos estão mais voltados para aquilo que Deus pode me dar, aquilo que é meu por direito, esquecendo que cânticos de louvor a Deus significa formar com a voz sons ritmados e musicais que venham a elogiar, bendizer, glorificar e exaltar a Deus. Vemos muitas gritarias, falatórios, mas pouco conteúdo, pouca qualidade. Parece que não estamos preocupados com as letras e sim com os ritmos, não importa o que cantamos o que realmente importa é se o cântico anima o povo, se faz a “galera” ficar de pé, ou se produz na platéia um sentimentalismo. Precisamos trazer um resgate ao verdadeiro louvor a Deus praticado em nossas igrejas, precisamos nos preocupar se a letra é genuinamente bíblica, se realmente o Senhor está sendo o objeto do louvor (pois há quem faca louvor para a namorada, esposa e incluem no período de louvor etc..)
Os critérios na escolha do repertório feito pelos ministérios ou grupos de louvor não deve ser qual música vai alegrar mais o povo, ou qual criará um sentimentalismo na igreja e sim o que Deus quer ouvir do seu povo hoje? Como se isso não bastasse ainda temos muitas vezes os desleixes nos ensaios sob a bandeira -- é pra Deus! ele se importa com a sinceridade do coração! sem contar que frequentemente não temos o devido compromisso com a letra que entoamos. O mercado evangélico se tornou muito lucrativo (música S/A) produzindo letras que vendem e defasando a qualidade da mesma. Aqueles que selecionam os cânticos nas igrejas devem tomar o cuidado de se perguntarem -- o que vamos cantar? Não podemos selecionar os cânticos pelo ritmo, por vir acompanhado de palmas ou choro ou muito menos rifa-los devido a falta de tempo para ensaiar, devemos selecionar os cânticos de baixo de oração, contendo letras que façam apologia ao Senhor e principalmente estar certo de que ele queira ouvir tais cânticos neste culto, pois os louvores são dirigidos a ele e pra mais ninguém.
Um resgate a espontaneidade
A pessoa que dirige o louvor deve ficar atenta para não violentar a espontaneidade de um irmão adorar. Cada pessoa tem suas maneiras, suas formas peculiares de expressar o cântico ao Senhor, e não poucas vezes presenciamos os dirigentes de louvor constrangendo o público com sua ingênua vontade de “animar” o culto quando usa expressões do tipo “fique de pé!” “levanta a mão!” “cante mais alto!” “batam palmas!” tudo isso é muito bom e legal, mas as vezes alguns não querem, querem cultuar do seu jeito, querem levantar as mãos porque sentem o desejo de fazerem e não porque alguém insiste, querem bater palmas porque uma alegria imensa invadiu seu coração e não porque outros bateram, essa espontaneidade nos cultos na hora de louvar deve ser respeitada, porém alguns dirigentes de louvor ficam irritados, incomodados quando não são atendidos e acham que os que não o atendem estão de rebeldia, de implicância de má vontade, entretanto o mesmo não leva em conta que o jeito de adorar e louvar do próximo é diferente do dele e com isso constrange a igreja com palavras do tipo “é pro Senhor!” “a igreja precisa acordar!” “hoje os irmãos estão desanimados!” etc...
A espontaneidade tem haver com algo que brota do coração, são atitudes sinceras de um coração sincero. As Escrituras Sagradas afirma isso quando diz “louvarte-ei de todo coração” (Sl 9.1) ou seja, é muito mais do que sons emitidos pelas cordas vocais, é depositar os sentimentos no cântico. Paulo reafirma em Efésios 5.19 que o louvor a Deus deve ser entoado e cantado com o coração e deixa expressado em 1ª Co. 14.15 sua firme decisão que este louvor do coração envolve a alma e o intelecto.
A finalidade da música
O propósito da música na igreja não é animar o culto, não é transformar o período de louvor num entretenimento. Podemos perceber nas Escrituras Sagradas dois objetivos principais da música na igreja, os quais são: declarar e refletir a glória de Deus, ou seja, adorá-lo dizendo o que ele é para nós, o segundo é demonstrar nossa gratidão por ele, isto é, o que ele tem feito por nós.
Quando louvamos ao Senhor com ações de graça e com uma genuína adoração podemos dizer que atingimos o verdadeiro objetivo da música na igreja. Qualquer tentativa de desviar deste propósito, ou seja, quando o Senhor deixa de ser o centro, o alvo e o objeto do louvor teremos uma mera caricatura da música na igreja.
Um bom exemplo desta finalidade musical é visto na história bélica de Israel contra os moabitas e amalequitas, na ocasião Josafá convoca todo povo para louvar ao Senhor num momento muito delicado do seu reinado. No verso 18 de 2º Crônicas capítulo 20 percebemos que todo povo se prostrou e adorou e em seguida vemos que os cantores estavam à frente do exército louvando a Deus e o teor da música era justamente este: gratidão -- rendei graças -- e adoração -- ele é misericordioso sempre. Deus havia se agradado tanto deste louvor que o próprio colocou emboscadas contra os inimigos de Israel. Precisamos resgatar este tipo de louvor em nossas Igrejas -- louvores que demonstrem um coração agradecido e uma adoração genuína, cantados não de vez em quando, mas sempre.
Conclusão
Amados, vamos ser rigorosos na seleção dos cânticos para o período de louvor, vamos observar se realmente a letra é cristocêntrica e bíblica, vamos explorar e promover a espontaneidade nos cultos, pois cada um tem o direito de cultuar a Deus a seu modo, vamos averiguar se realmente o objetivo com o qual cantamos é promover a glória de Deus ou retribuir gratidão pelos benefícios que ele nos tem feito. Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único de receber música na igreja, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!
http://www.artigonal.com/evangelho-artigos/a-musica-na-igreja-1242311.html
Perfil do Autor

Pr. Charles Loreti é casado com Ligia Loreti, é pastor da Igreja Evangélica Congegacional em Piabetá. É graduado em Bacharel em Teologia pelo STCRJ, possui duas pós-gradução uma em Aconselhamento Cristão e outra em Metodologia do Ensino Superior ambas pela escola de Pastores. É Capelão do INCA IV, é professor do Seminário Teológico Congregacional em Niterói e serve a Deus também nos Bombeiros do Rio de Janeiro na área de resgate.

0 comentários:

Postar um comentário

assine o feed

siga no Twitter

Postagens

acompanhe

Comentários

comente também

Widget Códigos Blog modificado por Dicas Blogger

SEGUIDORES

 
Licença Creative Commons
This work by Alexandre A. Silva is licensed under a Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License.
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://naclave.wordpress.com/.